"Pregões" para venda de eletricidade começam em outubro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Priscilla Murphy e Rodney Vergili 
São Paulo, 6 (AE) - A partir de 1º outubro, a energia elétrica brasileira começará a ser negociada no Mercado Atacadista de Energia (MAE), uma espécie de pregão, onde as cotações vão oscilar de acordo com a relação entre oferta e demanda. Inicialmente, apenas o excedente que normalmente não é coberto pelos contratos futuros das grandes empresas, de 4% a 5% do consumo, será leiloado.
Essa proporção será elevada gradativamente, até que o mercado esteja completamente aberto em 2006, de acordo com o presidente da Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia (Asmae), Eduardo Bernini, cuja sede foi inaugurada hoje em São Paulo.
De acordo com Bernini, o livre mercado deve causar a redução dos preços da energia, como ocorreu em outros países que adotaram o sistema, porque a competitividade crescerá. Esse benefício, disse, vai cobrir as despesas necessárias para a estruturação do MAE, de R$ 40,5 milhões no primeiro ano e de R$ 8 milhões anuais, depois que estiver em pleno funcionamento. A Asmae ainda vai tentar reduzir esse orçamento em 30% a 50%.
O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, os órgãos que regulam o setor e a Asmae concordaram em discutir o financiamento da instalação de medidores de energia em todo o sistema brasileiro, um projeto, avaliado em R$ 120 milhões.
Os medidores servirão para informar a quantidade de energia transmitida pelas usinas, subestações e entre as diferentes empresas, agora que o setor está deixando de ser um único bloco estatal e os custos precisam ser calculados com exatidão.
Houve uma certa controvérsia, que terminou com Tourinho concordando em discutir saídas para o financiamento. Depois que Bernini explicou a necessidade dos medidores e do financiamento, o presidente da Eletrobrás (ainda estatal), Firmino Sampaio Neto
prontificou-se a tentar conseguir os recursos, incluindo uma possível linha de crédito do Banco Mundial, desde que o investimento fosse "exequível".
Tourinho reagiu à oferta determinado: "Só acredito no que é de mercado se for mesmo nos mecanismos de mercado; por isso temos de tirar essa figura do Estado que está pairando no ar." Tourinho insistiu que os planos do governo são de ficar só com a fiscalização do setor e não participar de investimentos, mas concordou em encontrar-se com os demais interessados para discutir as possibilidades.


