Prefixados devem aguardar estabilidade de juros, diz professor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 19 (AE) - O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Carlos Tadeu de Freitas afirmou que a próxima semana pode não ser um bom lançamento de títulos prefixados pelo governo. "O mercado está dividido sobre se os juros vão cair ou não", argumentou.
Segundo Freitas, o melhor momento para o lançamento destes papéis seria quando houvesse consenso no mercado financeiro de que os juros chegaram ao patamar máximo e, daí para a frente, só poderiam declinar.
A queda nos preços do varejo, detectadas pelos índices de inflação é um "bom sinal" da possibilidade de redução dos juros, na opinião de Freitas. Mas essa tendência só poderia ser confirmada se os preços continuassem a cair em abril, permitindo que os juros caíssem mais - o que ainda não é certo, segundo o ex-diretor do BC, atualmente professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
"O Índice de Preços no Atacado (IPA) ainda não caiu", alertou o ex-diretor do BC, que ocupou o cargo nos anos de 1985 e 1989. Ele afirmou que, ao fixar os juros, o governo deve levar em conta também os preços no atacado e as taxas de inflação que captem a variação em toda a atividade econômica, como o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ).
Se o BC calcular a taxa somente com base na queda dos preços ao consumidor, estará "olhando para o passado", na opinião do professor do Ibmec. O motivo é que o valor dos artigos vendidos no varejo refletem variações anteriores no atacado e no IGPM.
Freitas criticou a noção de "viés" da nova política monetária do Banco Central, que significa antecipar uma tendência de queda ou alta de juros. "Em política monetária, não existe viés para cima, porque o BC estaria reconhecendo que os juros são negativos", argumentou.


