São Paulo, 12 (AE)- Antes de o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo lançarem programas de frentes de trabalho, cidades do interior já haviam adotado projetos de apoio a desempregados. Em Ribeirão Preto, o programa Cidade Limpa funciona desde dezembro de 1997. Franca, na mesma região, reativou seu projeto, também criado em 1997. E em São José do Rio Preto frentes "terceirizadas" funcionam desde janeiro.
O aposentado Pedro Firmino de Souza, de 70 anos, viúvo, mora sozinho, mas o salário mínimo que recebe é insuficiente. Bem-disposto, empunha uma enxada há mais de oito meses numa das frentes de trabalho de Ribeirão. "Sei fazer qualquer serviço, não muito bem, mas faço", diz, com simplicidade. Ele é uma das 462 pessoas que trabalham no Cidade Limpa. Cada uma recebe um salário mínimo por quatro horas diárias de trabalho.
A prefeitura entra com o dinheiro, mas a seleção, a contratação e o que será feito ficam por conta de associações de bairros. Num dos módulos, no Simioni, na periferia, 90 pessoas reformam praças e canteiros. O contrato é válido por quatro meses, renováveis por mais quatro. Isso, porém, não impede que alguém seja recontratado por associações de outros bairros.
Quem integra o Cidade Limpa também pode continuar buscando outras alternativas. Jurandir Pereira, de 32 anos, não se acomoda e faz bicos pelo bairro como servente de pedreiro ou jardineiro nas horas vagas. "Agora está mais difícil arrumar bicos, mas me viro para sustentar meus quatro filhos."
"Mais de 1,4 mil pessoas já passaram pelo programa", diz o secretário de Governo e coordenador do Cidade Limpa, Nicanor Lopes. Ele está satisfeito com a procura do modelo por representantes de várias cidades, como Araras, Lorena, Peruíbe, Limeira, Jacareí, Americana e outras. O programa é um dos cem finalistas do prêmio da Fundação Getúlio Vargas, no item gestão pública.
Franca reativou seu programa de frente de trabalho, que integra o projeto Cidade Limpa, Cidade Linda. A primeira etapa foi desenvolvida durante seis meses, em 1997, e empregou 250 pessoas na limpeza pública. Segundo o secretário de Serviços Urbanos e Rurais, Rubens Faccirolli, na primeira frente de trabalho cada pessoa recebia um salário mínimo e meio e uma cesta básica. Agora, ainda em situação financeira difícil, a administração reduziu o salário para R$ 136,00, mas manteve a cesta básica. A segunda etapa começou em abril, com 60 pessoas que trabalham oito horas por dia. O contrato é de seis meses, prorrogável por igual período.
A frente de trabalho funciona desde janeiro em São José do Rio Preto e emprega 844 pessoas, cujo menor salário é de R$ 250,00. A maioria faz obras de emergência, como a recuperação de ruas, avenidas ou estradas. Eles são contratados por empresas que prestam serviços à prefeitura. "É a terceirização determinada pelo prefeito Liberato Caboclo", diz a secretária municipal da Administração, Maria José Albuquerque. O número de temporários varia de acordo com os pedidos de serviços às empresas. Só na operação tapa-buracos, que deve terminar em julho, em fevereiro e março trabalhavam cerca de 500 operários. Parte do pessoal já está sendo transferida para atuar na roçagem de terrenos baldios, limpeza e desassoreamento de córregos.
Há operários "terceirizados" no combate à dengue ou trabalhando como vigias, faxineiros, jardineiros, merendeiras, zeladores de escolas e creches. Outros cuidam da alimentação de animais, da limpeza do parque zoobotânico e formam mudas de árvores para arborização da cidade no viveiro municipal.
A média de permanência deles no emprego é de seis meses, caso não assumam outro serviço. A frente de Rio Preto atrai operários de cidades vizinhas. Cerca de 25% dos contratados pelas prestadoras de serviços são de Mirassolândia, Cedral, Bady Bassitt, Guapiaçu e Onda Verde.

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