Prefeituras desenvolvem projeto de navegação turística do Tietê
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Salto, SP, 14 (AE) - As prefeituras de Salto e Porto Feliz (SP), na região do Alto-Médio Tietê, assinaram convênio com o Departamento de Navegação Fluvial da Faculdade de Tecnologia de Jaú para o desenvolvimento de um projeto de navegação turística em um trecho de 48 quilômetros do Rio Tietê, entre as duas cidades. Será a parte navegável do rio mais próxima da Grande São Paulo e de sua nascente, em Salesópolis. O projeto vai permitir, inicialmente, a circulação de barcos com capacidade para até 80 pessoas.
O trecho será sinalizado e terá ancoradouros para a parada dos turistas em fazendas da região. No passado, quando o Tietê era utilizado pelos bandeirantes, para a busca de ouro e pedras preciosas no sertão, essa parte do rio era evitada, pois os monçoeiros a consideravam imprópria para a navegação. As bandeiras partiam de Porto Feliz, seguindo rio abaixo, a favor da correnteza. Obstáculos - Uma equipe de tecnólogos da faculdade percorre esse trecho de barco, amanhã e sábado, com equipamentos para realizar estudos e definir as obras necessárias à passagem das embarcações maiores. O professor Hilton Aparecido Garcia, especialista em navegação fluvial e coordenador do grupo, fez o percurso há duas semanas e constatou, surpreso, que os obstáculos são poucos. "São entre cinco e dez barreiras, mas apenas uma tem porte significativo".
A parte mais crítica, segundo ele, é a transposição da Cachoeira Grande, uma corredeira localizada na metade do percurso. Um trabalho de batimetria já realizado pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) está dando subsídios para os projetos da equipe. Os tecnólogos projetam também as embarcações que irão navegar nessa rota. Além do primeiro barco, de 15 metros, está sendo estudado um outro maior, de 25 metros, com capacidade para 200 pessoas, para a segunda fase. Os projetos serão entregues às prefeituras até o fim do ano.
O vereador Geraldo Garcia (PSDB), de Salto, que participou de um estudo sobre as potencialidades turísticas da região, acha que a navegação no Tietê vai atrair investidores, apesar das águas ainda poluídas. A tendência, segundo ele, é o surgimento de hotéis e pousadas. Garcia acredita que a continuidade do Projeto Tietê, do governo estadual, que prevê o tratamento dos esgotos da Grande São Paulo, trará resultados benéficos a curto prazo. Prova disso, segundo ele, é que a redução da poluição industrial e as obras já realizadas de saneamento resultaram na melhoria das condições das águas, entre Salto e Porto Feliz. Ele acompanhou a viagem pelo rio e ficou admirado com a quantidade de pássaros, peixes e aves no trecho.


