Prefeituras de São Paulo oferecem apoio a sem-terra da região do Pontal
São Paulo, 15 (AE) - Várias prefeituras estão oferecendo apoio aos sem-terra que realizam amanhã manifestações em mais de 20 Estados para protestar contra a nova política agrária do governo e a não punição dos responsáveis pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em 1996. Os líderes do movimento querem reunir mais de 30 mil pessoas em todo o País. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) confirmou marchas em direção a Salvador (BA), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Natal (RN), Maceió (AL) e Campo Grande (MS).
Em São Paulo, a prefeitura de Mirante do Paranapanema, onde está localizada a maior parte dos assentamentos da reforma agrária do Pontal do Paranapanema, cedeu 20 ônibus para transportar trabalhadores que deverão participar do ato público hoje em Presidente Prudente. Outras prefeituras participaram doando alimentos e cedendo locais para pernoites, enquanto sindicatos e Igreja contribuíram com equipamentos de som e pessoal para ajudar na organização dos trabalhadores. A Sabesp, órgão do governo do Estado, doou 40 mil saquinhos com água potável.
A dirigente Diolinda Alves de Souza, mulher do líder José Rainha Júnior, lembrou que, para esta manifestação, o MST preferiu reduzir o número de crianças, mas, apesar disso, muitas delas acabaram acompanhando as mães, mesmo nas marchas. Por isso
foi importante obter ajuda de prefeitos no fornecimento de leite e pão.
O MST pretende aproveitar o ato de Presidente Prudente amanhã para aprovar, em assembléia que deverá reunir mais de 3 mil assentados e acampados, proposta de bloqueio simultâneo das cerca de 20 agências do Banco do Brasil da região, caso suas reivindicações para a liberação de créditos não sejam atendidas. Crédito - A primeira manifestação deverá concentrar na frente da superintendência regional do Banco do Brasil os 300 coordenadores de assentamentos que reivindicam a imediata liberação de R$ 40 milhões em recursos do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera), destinados ao fomento, custeio e habitação. Depois, os sem-terra se dirigirão ao prédio da Procuradoria-Geral do Estado para exigir agilidade no encaminhamento de ações judiciais reivindicatórias sobre 16 fazendas de Presidente Bernardes, que, segundo o MST, já teriam sido declaradas devolutas e poderão ser usadas para a instalação de novos assentamentos.
O ato público será as 16 horas, quando os principais líderes do MST apresentarão relatório da situação da reforma agrária no Pontal e farão a proposta de bloqueio dos bancos. O principal líder do MST na região, José Rainha Júnior, que com o filho, João Paulo, de 6 anos, integrou uma das colunas da marcha
será o último a falar.





