Londrina - A Prefeitura de Londrina estaria pagando desnecessariamente por milhares de exames de pacientes da rede básica que poderiam ser feitos dentro da própria Secretaria Municipal de Saúde. Levantamento apresentado pela Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca), da própria secretaria, mostra que no ano passado foram encaminhados mais de 24,2 mil exames por mês a laboratórios particulares da cidade. Por conta disso, funcionários municipais ficariam ociosos enquanto a administração recorre aos cofres públicos para bancar os procedimentos.
Os exames de colesterol, glicose, hemograma e urina poderiam ser feitos no CentroLab - Laboratório Municipal, criado ainda na década de 80 e que funciona no mesmo prédio do Pronto-Atendimento Municipal (PAM). ''Temos um dos melhores laboratórios de Londrina. Conquistamos nota máxima no Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ)'', afirma a gerente do CentroLab, Sonia Vieira.
''Segundo estudo recente realizado por esta diretoria juntamente com a gerência do Centrolab, se levados em consideração somente os valores dos comodatos dos equipamentos atualmente existente no Centrolab, haveria uma economia por parte do Município se todos os exames de rotina fossem realizados em laboratório próprio'', aponta o relatório datado de outubro de 2011.
''Nossos equipamentos são adquiridos por comodato, sempre abaixo da tabela do SUS. Hoje, a gente realiza 60 mil exames por mês, mas poderíamos estar com toda a atenção básica se tivesse um pouco mais de investimento em recursos humanos e aquisição de mais reagentes'', explicou. O CentroLab tem 43 servidores.
Segundo o relatório do Daca, o custo médio por um procedimento é de R$ 3,80 na rede privada e R$ 2,56 na pública. O dispêndio ultrapassaria R$ 360 mil por ano. Outro agravante é que o município não realizou licitação para terceirizar o serviço.
No segundo semestre de 2008, o município firmou um contrato emergencial de três meses com esses laboratórios particulares para atualizar o sistema de atendimento do CentroLab. Passado o prazo, os institutos continuaram recebendo materiais para exames.
Os procedimentos não foram regularizados desde então. O secretário municipal de Saúde, Edson de Souza, não retornou as ligações feitas pela FOLHA. A Promotoria do Patrimônio Público promete apurar o caso.

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