Prefeitura tenta regulamentar incentivos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Londrina- A Prefeitura de Londrina encaminhará hoje à Câmara de Vereadores um projeto de Lei solicitando autorização para o pagamento dos incentivos dos médicos plantonistas vencidos e para futuros pagamentos do incentivo. O valor destes serão auditados e o prazo para o pagamento é de 30 dias. A proposta foi apresentada pela administração após reuniões, durante o dia todo, para tentar evitar a paralisação dos médicos a partir de amanhã.
Anteontem, entidades médicas e hospitais anunciaram o fechamento, por indeterminado, a partir das sete horas de amanhã, dos pronto-socorros dos hospitais Evangélico, Santa Casa, Infantil e Instituto do Câncer e as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais e pediátricas. A decisão foi tomada depois que mais de 200 médicos especialistas pediram demissão dos plantões pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida foi anunciada em função de a Prefeitura ter anunciado o depósito em juízo do incentivo municipal no valor de R$ 530 mil. No entanto, segundo o secretário de Gestão Pública, Marco Cito, o pagamento foi negado porque o uso de verbas federais para pagamento de incentivos de especialistas a distância é ilegal. Tivemos a confirmação de que era ilegal trocar a fonte para o pagamento dos incentivos sem autorização legislativa. Priorizamos a transparência e a legalidade e esperamos que os hospitais revejam sua posição, informou Cito.
A Administração também propõe a revisão e avaliação dos incentivos contratados, com a participação das partes interessadas, visando à celebração de novo contrato, exclusivo para os incentivos municipais.
Segundo o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antônio Caetano de Paula, as entidades médicas e a direção clínica dos hospitais aguardavam o envio por escrito das propostas do Município. O projeto será encaminhado a todos os hospitais filantrópicos e analisado em assembleias pelos médicos plantonistas. É pouco provável que esta proposta seja aceita. O Município está voltando a fazer uma promessa e pode não cumpri-la, argumentou Paula, referindo-se ao compromisso, firmado diante do Ministério Público, de quitar a primeira de um total de quatro parcelas referentes aos incentivos pagos a especialistas que dão plantão a distância e aos intensivistas das UTIs neonatais e pediátricas, que fazem plantões presenciais.
Segundo os médicos, o retorno aos serviços está condicionado aos pagamentos em atraso - que também incluem as Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs); compromisso de não haver suspensão dos pagamentos futuros; respeito ao contrato e reconhecimento de sua legalidade; e revisão dos valores pactuados, em conjunto com o prestador (hospital).


