São Paulo, 18 (AE) - A Prefeitura de São Paulo deve reiniciar a retirada de todos os camelôs do centro da cidade ainda esta semana. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Requalificação Profissional da prefeitura, Fernando Salgado, designado para intermediar uma solução entre a administração municipal e os ambulantes, disse hoje estar fora das negociações. A partir de agora, o assunto volta para a Secretaria das Administrações Regionais (SAR) e para a Guarda Civil Metropolitana (GCM).
"Estou retirando-me das negociações", disse Salgado. As posições do secretário e do prefeito Celso Pitta (sem partido) eram incompatíveis. Enquanto Salgado propunha uma saída paulatina dos camelôs, o prefeito defende uma retirada incondicional deles.
Desde a semana passada, ambulantes de várias associações
sob a coordenação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reuniram-se por quatro vezes com Salgado. Conseguiram suspender temporariamente ações administrativas de retirada imediata que estavam previstas.
Hoje, fecharam uma proposta para levar ao prefeito. Permaneceriam nas ruas apenas os camelôs que tivessem os Termos de Permissão de Uso (TPUs) concedidos na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina (1989-1992) para um número limitado de ambulantes - deficientes físicos, idosos e desempregados. Os TPUs, que eram temporários, não têm mais validade e há denúncias de que vinham sendo vendidos por funcionários das regionais.
Pela proposta feita hoje, também seria dado um prazo de 60 dias para que a prefeitura fizesse melhorias nos bolsões do centro. Só então os camelôs seriam transferidos. Os que não se encaixassem iriam para outras áreas públicas apontadas na proposta.
O prefeito recusou a idéia. Segundo a assessoria de imprensa dele, Pitta não pretende abrir mão da decisão, pois estaria privilegiando uma categoria em detrimento dos demais cidadãos que usam as ruas de São Paulo.

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