Prefeitura quer tirar camelôs da região do HC
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi 
São Paulo, 22 (AE) - A Prefeitura de São Paulo quer tirar cerca de 200 ambulantes das proximidades do Hospital das Clínicas, em Pinheiros, zona oeste. Hoje, 200 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e 25 fiscais da Administração Regional de Pinheiros foram destacados para remover os carrinhos e as barracas do local. A Prefeitura solicitou o reforço das Polícias Civil e Militar.
A operação estava marcada para começar às 23 horas - quando a maioria dos ambulantes não estivesse mais trabalhando. Por volta das 22 horas, chovia muito em toda a cidade, a ponto de a Central de Gerenciamento de Emergências, órgão da Prefeitura, ter decretado estado de atenção nas zonas leste e norte.
Nesse horário, apesar de a categoria ter prometido resistência à tarde, alguns camelôs retiravam espontaneamente suas barracas, em caminhões alugados em conjunto, com medo de ter mercadorias apreendidas.
"O forte policiamento e as chuvas descentralizaram o movimento dos ambulantes", disse o presidente da Associação dos Comerciantes e Prestadores de Serviço em Postos Fixos nas Vias e Logradouros Públicos de São Paulo (Acomesp), Francisco Marcos da Silva, de 37 anos, o Mineiro. Segundo ele, não haveria confrontos. "Há policiais e guardas-civis demais, para pouco camelô; é um absurdo."
Os ambulantes foram notificados da remoção na semana passada. Segundo o líder, apesar do aviso a Prefeitura teria concedido prazo até 15 de março para a saída dos camelôs. Ele ressalta que protocolou pedido no Ministério Público para tentar suspender a medida. Dos cerca de 200 ambulantes, 42 atuam na área há mais de 20 anos e teriam licenças antigas.
É o caso de Maria Ferreira, de 53 anos, que assumiu a barraca de cachorro-quente no lugar do pai, que trabalhava no local desde 1971. Segundo ela, em 1998 a Prefeitura teria exigido a padronização das barracas. "Tivemos de comprar uma barraca de R$ 3.780", disse. "O prefeito vai nos devolver esse dinheiro?"
Sem prazo - O secretário da AR-Pinheiros, Maurício Marcos Monteiro, afirmou que a Prefeitura não concedeu prazo para os ambulantes e o ressarcimento das barracas não é problema da regional. Segundo ele, a retirada dos ambulantes deve-se a reclamações como a falta de higiene na área e obstrução do tráfego de pedestres. Para ele, há cem camelôs na área. Já, segundo a Acomesp, são 200 ambulantes.
O secretário acrescentou que nenhum camelô situado na região do HC está regularizado. A Prefeitura estima que existam 20 mil na cidade. O edital para regularização dos pontos sai nos próximos dias. (Colaborou Natalie Antar)


