Prefeitura quer contratar psicólogos para as escolas de Londrina
Projeto de lei em trâmite na Câmara prevê quatro profissionais da área para atuar na Secretaria Municipal da Educação; texto também cria mais seis vagas para psicólogos e um psiquiatra para a Secretaria Municipal de Saúde
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de janeiro de 2020
Projeto de lei em trâmite na Câmara prevê quatro profissionais da área para atuar na Secretaria Municipal da Educação; texto também cria mais seis vagas para psicólogos e um psiquiatra para a Secretaria Municipal de Saúde
Reportagem local 
A Prefeitura de Londrina pretende contratar quatro psicólogos para atendimento exclusivo à rede municipal de ensino para dar suporte às ações e elaborar laudos necessários em ocasiões específicas. O projeto de lei do prefeito Marcelo Belinati (PP) foi encaminhado à Câmara de Londrina em dezembro de 2019 e ainda prevê a contratação de outros seis psicólogos e um psiquiatra para a rede municipal de saúde.

Segundo a secretária de Educação de Londrina, Maria Tereza Pascoal de Moraes, os profissionais são necessários para auxiliar nos casos em que os alunos apresentam dificuldades e defasagem no processo de alfabetização ou de aprendizagem em geral, geralmente em decorrência de questões emocionais, cognitivas ou de desenvolvimento. “Essa avaliação é feita pelos professores no dia a dia, mas os relatos não têm respaldo científico. Precisamos de profissionais para validar com laudos técnicos”, explica a secretária.
Os psicólogos, entretanto, não trabalharão com atendimentos clínicos, mas atuarão auxiliando as equipes pedagógicas a desenvolverem estratégias de trabalho. Os atendimentos, quando necessários, são encaminhados para a rede pública de saúde ou para instituições parceiras especializadas, como a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) ou o COL (Centro Ocupacional de Londrina).
Maria Tereza explica que os profissionais não têm a ver com a proposta de implantação de atendimentos psicológicos nas instituições públicas de ensino, conforme projeto de lei nacional que tem a prerrogativa de combater a violência nas escolas. Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) vetou o PL, alegando "inconstitucionalidade e contrariedade ao serviço público" - o texto cria despesas sem citar fonte de recursos. Apesar disso, o Congresso Nacional derrubou o veto em novembro.
Para a secretária, apesar de a proposta ser interessante, seria economicamente inviável. “Nós estamos contratando quatro profissionais. Se a lei fosse sancionada, teríamos de contratar 120”, explica. Além disso, as questões envolvendo combate à violência e o estímulo da inteligência emocional devem ser tratados de modo didático, pelos professores e equipe pedagógica. “Temos (profissionais da educação) outras formas de trabalhar isso. Quem trabalha questões de valor, inteligência emocional, é o próprio professor. Vamos focar bastante nessa capacitação”, diz.


