Rio, 21 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, entregou hoje ao presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, sugestões para que a companhia estabeleça um compromisso de longo prazo com as áreas afetadas pelo vazamento de óleo do dia 18 de janeiro. Entre as propostas, a "adoção" da Ilha de Paquetá por um período de cinco anos.
Dois relatórios, detalhando as condições de Paquetá como também da Ilha do Governador foram entregues a uma equipe da estatal que esteve na reunião, na sede da Petrobras, no Centro. Um outro encontro deverá acontecer em quinze dias.
Conde acredita que se fizer projetos de médio e longo prazos na região afetada, a Petrobras poderá recuperar a sua imagem diante da população."Acho que é uma forma de a empresa estabelecer uma nova imagem, um caminho para ter novamente a confiança de moradores e comerciantes."
A idéia é que seja feito um trabalho basicamente de cunho ambiental. "A prioridade é a balneabilidade da areia e continuar com um monitoramento das águas", disse o prefeito, que foi ao encontro com o secretário municipal do Meio Ambiente, Maurício Lobe, com o subsecretário do Centro, Augusto Ivan e a diretora de projetos do Instituto Pereira Passos, Olga Campista.
Pesquisas - O projeto para a Ilha da Paquetá prevê a criação de um centro de pesquisas do mar. Para o prefeito, o centro poderia se tornar um pólo de pesquisadores de todo o Estado. Além disso, serviria como um local de visitas para escolas. Conde ainda apresentou um programa modelo, criado pela Comlurb, para recolhimento e reciclagem de lixo. Uma campanha publicitária também poderia integrar os termos da adoção.
Antes do acidente no duto da Petrobras, Paquetá recebia mais de 10 mil turistas no fim de semana. No primeiro sábado e domingo após o vazamento, a Ilha recebeu apenas dois mil visitantes. Somente agora, a região está recuperando, de forma lenta, o movimento de turistas.
Para a Ilha do Governador, o projeto seria mais urbanístico e teria a duração de 36 meses. A recuperação do local incluiria a recuperação do mangue de Jequiá e Tubiacanga. Conde não quis falar sobre cifras com Reichstul e sua equipe. "A Petrobras já está fazendo ações que podem ser deduzidas", observou.
Nota - A Petrobras divulgou hoje nota explicando que foram realizados testes geoquímicos no óleo encontrado na Baía de Guanabara na semana passada. Segundo o documento, "ficam afastadas as possibilidades de um possível derramamento de óleo por embarcação da Petrobras", pois os resultados indicam que o produto analisado foi processado com base em óleo árabe leve, o que significa que ele não é petróleo originário da Bacia de Campos.
As análises, feitas pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) demonstraram que o óleo apresenta "sinais evidentes de ter estado no mar por vários dias, uma vez que sofreu intemperismo pela ação da água e climática, praticamente perdendo todos os hidrocarbonetos leves".

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