Curitiba - Após inúmeras denúncias de má gestão, os indícios de que a situação no Instituto Médico Legal (IML) pode melhorar começam a aparecer. A administração municipal confirmou ontem que 12 corpos que estão com alvarás de liberação expedidos serão enterrados todos no mesmo dia, na próxima semana.
O policial civil da Divisão Administrativa do IML, Moisés Alves Nunes, explicou que o processo de liberação estava sendo feito ''de forma lenta'', principalmente nos casos de indigentes. Primeiro, o IML gastava 30 dias para fazer a solicitação de alvará ao juiz. Depois a Justiça demorava até 90 dias para liberar o documento. Em seguida, a Prefeitura demorava mais um mês até enterrar o corpo. Com essa demora de quase cinco meses, os cadáveres foram se acumulando nas câmaras frias do necrotério.
Outras 70 solicitações de alvará continuam nas mãos da Justiça. ''Se a Prefeitura conseguir realmente enterrar todos os corpos de indigentes assim que chegar o alvará e se a Justiça se agilizar, em breve já teremos uma grande diferença do quadro de cadáveres que estão armazenados no IML'', disse.
A diretoria do IML alegou esta semana que a justificativa da Prefeitura para não enterrar os corpos indigentes seria a falta de espaço nos cemitérios. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente respondeu dizendo que a informação é infundada e que o IML só fez a solicitação de enterro de cadáveres duas vezes este ano, uma no dia 3 deste mês, para 15 corpos, mas um desses sumiu, e outra de 12 corpos na segunda-feira passada.
Outra reclamação apresentada pelo IML foi de que o órgão de Curitiba é responsável por atender 32 municípios. ''A maioria dos corpos não identificados vem da Região Metropolitana. Desses, todos são enterrados na Capital, o que dificulta ainda mais o trabalho.''.
A Prefeitura informou que o IML não teria como levar de volta esses corpos para os municípios onde foram encontrados, por isso assume a responsabilidade de enterrá-los.

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