Londrina – O professor e consultor em Resíduos Sólidos, José Paulo da Silva, entende que o Lixo Zero é viável como alternativa sustentável para o tratamento de resíduos. Ele afirma, no entanto, que o programa poderia ser implantado integralmente em menos tempo, uma vez que grande parte do investimento deve vir da iniciativa privada, e alerta que a administração pública precisa fazer a sua parte.
"A população de Londrina está preparada para fazer uma separação correta, já há uma cultura, que se perdeu um pouco nos últimos anos, mas ainda existe. Agora quem propõe um projeto tem que cumprir a sua responsabilidade, senão cai no descrédito. Se for prometida a coleta para um dia, ela tem que acontecer, senão o cidadão fica com um pé atrás", aponta o professor de Engenharia Ambiental e Civil da Faculdade Pitágoras.
A opção da instalação de contêineres é bem vista pelo consultor, desde que sejam feitas três coletas semanais do lixo orgânico, duas para o rejeito e uma para o reciclado. "As estações de transbordo também são viáveis, mas é preciso que sejam bem fechadas para evitar que o chorume produzido pelos orgânicos contamine o solo", frisou.
O programa prevê que todo lixo orgânico seja transformado em adubo por meio da compostagem. José Paulo da Silva lembra que esta determinação já está incluída nas leis de Saneamento (11.445/2007) e de Resíduos Sólidos (12.305/2010). "A grande questão da compostagem é que a segregação tem que ser muito bem feita. Não pode haver contaminação com outros materiais e precisa ser acondicionada em embalagens próprias. A compostagem vai permitir que este material volte para a natureza e elimina a formação do chorume", aponta o especialista. "Para que os PEVs realmente funcionem é necessário que eles atendam as normas técnicas, como controle na hora do descarte, através do plano de gerenciamento de resíduos, obrigatório em qualquer obra, além de ser um local fechado e haja a segregação do material."(L.F.C.)

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