Prefeitura pede despejo de sem-terra que ocupam áreas urbanas em Anhembi
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Anhembi, SP, 02 (AE) - A prefeitura de Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, ingressou hoje com pedido de reintegração de posse das áreas urbanas ocupadas desde o último dia 23 por 1,2 mil famílias de sem-terra. A juíza Lígia Cristina Berardi Possas, da 1ª Vara de Conchas, analisa o pedida e pode conceder amanhã (03) a liminar de despejo. Quatro proprietários de áreas particulares também invadidas pelos sem-terra fizeram o mesmo pedido.
Segundo o advogado Antônio Venâncio Martins Neto, que entrou com as ações, os 3,5 mil moradores da área urbana estão intimidados com a presença dos sem-terra. "Há entre eles pessoas oriundas de favelas e de outros segmentos, criando um clima de intranquilidade entre os moradores", afirmou. Ele disse que fazem parte das terras invadidas o estádio municipal e áreas destinadas ao lazer da população. "Os moradores estão sendo privados do uso desses locais".
Caso a juíza conceda as liminares, oficiais de Justiça irão intimar as lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) para que a desocupação ocorra no prazo fixado, geralmente, em 48 horas. Os sem-terra disseram que vão resistir ao despejo. Tensão - Em Anhembi, o clima é de tensão desde que começaram a chegar mais pessoas no acampamento. O movimento aumentou no sábado, com a chegada de dezenas de famílias. Domingo à noite, chegou um ônibus com cerca de 50 militantes. "Estão vindo em grupos cada vez mais numerosos", disse o comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, major João Francisco Antunes.
No fim de semana, surgiram os primeiros atritos entre sem-terra e moradores locais. Houve uma briga em um bar e dois sem-terra, que portavam facões, tiveram suas armas apreendidas. Antunes voltou a reforçar o policiamento, hoje, e pediu o apoio da Cavalaria. Um grupo de 20 a 30 cavalarianos deve chegar amanhã a Anhembi. Caso os sem-terra não desocupem a cidade, a PM terá que fazer o despejo forçado. Itesp - Até a tarde de hoje o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), incumbido pelo governador Mário Covas de conseguir uma área para a transferência temporária dos sem-terra
não tinha definido o terreno. Uma gleba de 20 hectares pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) foi indicada para vistoria, mas acabou sendo descartada por estar sendo objeto de ação judicial. O prefeito de Anhembi, Geraldo Conceição Cunha (PSDB) lamentou a demora e a falta de informações. "Não consigo falar com ninguém do Itesp".
O coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, um dos líderes dos acampados, disse que os sem-terra não pretendem deixar a cidade enquanto não for destinada outra área para acampamento provisório. Segundo ele, caso o despejo seja cumprido, parte das famílias acampará na frente da prefeitura e o restante irá acampar no Palácio dos Bandeirantes, na capital, sede do governo paulista.


