São Paulo, 22 (AE) - A Prefeitura de São Paulo quer tirar cerca de 200 ambulantes das proximidades do Hospital das Clínicas, na zona oeste. Hoje, 200 homens das Guarda Civil Metropolitana (GCM) e 25 fiscais da Administração Regional de Pinheiros foram destacados para remover os carrinhos e as barracas do local. A Prefeitura solicitou o reforço das Polícias Civil e Militar.
A operação estava marcada para começar às 23 horas - quando a maioria dos ambulantes não estivesse mais trabalhando. Os camelôs prometiam resistência. Pelo menos essa era a ordem do presidente da Associação dos Comerciantes e Prestadores de Serviço em Postos Fixos nas Vias e Logradouros Públicos de São Paulo (Acomesp), Francisco Marcos da Silva, de 37 anos.
"Resistir é nossa única saída para continuarmos trabalhando aqui", disse Silva, apesar de temer um confronto. Ele afirmou que iria orientar a todos para que permanecessem dentro de suas barracas. Os ambulantes foram notificados da remoção na semana passada.
Segundo Silva, apesar do aviso, a Prefeitura teria concedido um prazo até o dia 15 de março para a saída dos camelôs. Ele ressalta que protocolou um pedido no Mistério Público para tentar suspender a medida. Dos cerca de 200 ambulantes, 42 atuam na área há mais de 20 anos e teriam licenças antigas concedidas em outras gestões.
Antigos - É o caso de Maria Ferreira, de 53 anos, que assumiu a barraca de cachorro-quente no lugar de seu pai, que trabalhava no local desde 1971. Segundo ela, em 1998 a Prefeitura teria exigido a padronização das barracas. "Tivemos de comprar uma barraca de R$ 3.780 para permanecer no local", disse. "O prefeito vai devolver esse dinheiro para nós?" Como Maria, os outros 41 ambulantes questionam o que será feito das barracas. Sem prazo - O secretário da Regional de Pinheiros, Maurício Marcos Monteiro, afirmou que a Prefeitura não concedeu prazo para os ambulantes e o ressarcimento das barracas não é problema da administração. Monteiro disse que a retirada dos ambulantes se deve a uma série de reclamações, entre elas, a falta de condições de higiene na área e a obstrução do tráfego de pedestres. Ele estima que existam cerca de cem camelôs na área. Segundo a Acomesp, são 200 ambulantes.
O secretário acrescentou que nenhum camelô situado na região do HC está regularizado. A Prefeitura está cadastrando os ambulantes e estima que existam 20 mil em toda cidade. O edital para regularização dos pontos deve sair nos próximos dias.

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