"Chega de se esconder por trás de uma máscara." Este é o tema da campanha criada pela Prefeitura de Londrina para incentivar denúncias de assédio, abuso e violência contra a mulher durante o carnaval. Panfletos explicativos com telefones para denúncias serão distribuídos em clubes, associações, blocos de carnaval e festas promovidas pela cidade.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Nádia Moura, ressaltou que os casos de violência contra a mulher aumentam, aproximadamente, 20% durante o período do carnaval. "Estamos todos juntos nessa campanha. Não queremos mulheres sendo violentadas aqui em Londrina, no Paraná e no Brasil. Temos que ter respeito. Não é não. Temos que denunciar. Temos serviços do município para atender essas mulheres", frisou. Conforme a secretária, a campanha será permanente.

Levantamento divulgado nesta semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 4,7 milhões de mulheres foram vítimas de agressão física em 2018, uma média de 536 agressões por hora. Para a promotora de Justiça Susana Lacerda, que atua no combate à violência contra a mulher, a redução nos índices de violência contra a mulher dependem de uma mudança cultural e comportamental. Ela citou, como exemplo, a necessidade de criar marchinhas de carnaval que exaltem o novo papel da mulher na sociedade.

"Antes a mulher tinha outro papel e essas marchinhas carregavam essa história. As pessoas sequer percebiam que as marchinhas eram machistas, conservadoras e que, por trás delas, se passava essa mentalidade. Então, é preciso mudar as marchinhas. Ninguém enxerga a mulher da mesma forma. Não é questão de ser chato ou politicamente correto. É uma questão de enxergar que a mulher exerce outro papel na sociedade, que a mulher quer respeito e que não é só uma brincadeira de carnaval", destacou.

A juíza da 6ª Vara Criminal, Zilda Romero, que também atende casos de violência contra a mulher, lembrou que este será o primeiro carnaval em que está em vigor a lei que criminaliza a importunação sexual, sancionada em setembro do ano passado. "O beijo forçado, o passar a mão na vítima sem autorização, tudo isso hoje caracteriza crime. Então nós temos que orientar a população para que não avance o sinal, para que respeite a dignidade da mulher. Não é porque ela está com uma saia curta ou um decote que o outro tem o direito de achar que aquela mulher é objeto", ressaltou. A pena para o crime de importunação sexual varia de 1 a 5 anos de reclusão.

SERVIÇO

Denúncias podem ser feitas pelos telefones 180 (Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência), 190 (Polícia Militar) e 153 (Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Londrina)

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