A Prefeitura de Santos vai fazer uma blitz geral em todos os clubes e casas noturnas da cidade para verificar as condições de segurança e evitar que se repitam tragédias como a que ocorreu na madrugada de sábado, no Clube de Regatas Santista, após a exibição da Banda Raimundos, quando sete jovens morreram e outros 67 sofreram fraturas e ferimentos. ‘‘A partir de amanhã (hoje) vamos reiniciar as inspeções e estabelecimentos que não estiverem em ordem serão interditados’’, disse o prefeito Beto Mansur (PPB).
‘‘Do triste fato que marcou a vida de muitas famílias, dá para tirar uma lição: os bares não podem vender bebidas alcoólicas para menores’’, observou o prefeito. Ele disse ainda que vários estabelecimentos passaram recentemente por vistoria realizada por um grupo de técnicos da prefeitura, polícias Militar e Civil, da Promotoria Pública e Juizado de Menores. ‘‘Muitos deles foram notificados. Agora, vamos voltar e seremos duros’’.
O prefeito deixou claro que pretende apurar responsabilidades sobre o ocorrido no Regatas Santista e que está aguardando o laudo da Polícia Técnica e do Ministério Público para agir. O ginásio já foi interditado no mesmo dia do acidente pelo secretário de Obras, Antonio Carlos Gonçalves.
Mansur lembrou a contradição de depoimentos entre algumas testemunhas que estavam no show e que afirmaram que as portas de saída estavam limitadas, contra os da diretoria do clube, que davam conta de que as cinco portas, incluindo a de saída dos artistas, estavam abertas. ‘‘O empurra-empurra da garotada terminou em tragédia. Mas, para mim, a culpa é do adulto, da segurança e de quem estava promovendo o show, que deixou concentrar todos, na mesma porta’’, concluiu.
A estudante de jornalismo Vanessa Bernardo estava no show de lançamento do CD ‘‘Lapadas do Povo’’, da Banda Raimundos, junto com a irmã, o namorado e um primo de 14 anos. Ela disse que quando tomou conhecimento da confusão, imediatamente se imaginou morta. ‘‘Desde a fila de entrada comecei a observar o movimento. Vi crianças que deveriam ter 12 anos no máximo, e gente passando mal antes de entrar: alguns porque beberam e outros porque usaram droga’’, esclareceu. Segundo disse, o show acabou às 2h30 e ela decidiu esperar o ginásio esvaziar porque só havia uma porta para sair. ‘‘Sentei e esperei. Enquanto isso, um homem subiu ao palco e avisou: devagar, pessoal. Cuidado com a saída do lado esquerdo’’. Nesse momento havia acontecido a tragédia. Mas, de acordo com Vanessa, quem estava no ginásio não sabia o que tinha acontecido.
‘‘Finalmente, relata, abriram a outra saída e foi por ela que cheguei à rua e senti um certo alívio. Mas vi ambulâncias, gente ferida, com a perna quebrada, gente carregada’’, concluiu a estudante.
Ontem pela manhã foram sepultados os corpos de dois jovens que foram se divertir no show mas não retornaram: Pablo Rodolfo dos Santos Soares (20 anos), em Praia Grande, e Bárbara Aparecida da Silva Alves (18 anos), em São Vicente. As outras cinco vítimas fatais foram enterradas no final da tarde de sábado, em Santos.
Ainda ontem, Daniel Barbosa de Freitas foi removido da Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa para a enfermaria, em estado regular. Mas Luiz Fabiano Rodrigues Oliveira e Alex Daniel dos Santos continuam na UTI, em estado grave. Os três outros internados permanecem no setor de Traumatologia. O jovem Ricardo Pinto Madeira foi vítima de fraturas e está no Hospital Ana Costa.
Um fio solto pode ser apontado como uma das causas do tumulto que deu origem à tragédia. Um dos office-boys do Clube Regatas Santista, que assistiu ao espetáculo dos Raimundos, disse que tudo começou quando um rapaz se desequilibrou e puxou um fio para se segurar, sem sucesso. O fio caiu e arrebentou, provocando choque em quem tocava na estrutura metálica. Alguém próximo da escada chegou a gritar ‘‘fogo’’ e começou a confusão.
O perito do Ministério Público Élio Lopes dos Santos retornou na noite de sábado ao ginásio de esportes do clube e constatou que havia fios soltos próximos à estrutura metálica. Entretanto, preferiu aguardar o resultado do laudo da perícia técnica para se posicionar a respeito. Já a polícia começa a ouvir hoje as testemunhas. O delegado titular do 3º DP, João Lham, pretende convocar até os músicos da Banda Raimundos para depor, mas vai começar pela relação dos feridos que passaram pelo pronto-socorro central.

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