Curitiba - A briga entre os sem-teto e a Guarda Municipal de Curitiba vai agora para a Justiça. A Procuradoria Geral do Município (PGM) fez ontem uma representação criminal contra os integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM). A Polícia Civil vai investigar os crimes de lesões corporais contra agentes da guarda e de invasão de propriedade do município. Os advogados dos sem-teto também pretendem entrar com uma ação criminal contra a Prefeitura de Curitiba, além de exigir indenização por danos morais. Os integrantes do movimento foram tirados a força na manhã da última segunda-feira de um terreno da Cohab, que eles haviam invadido durante a madrugada.
Ambos os lados deram ontem suas versões sobre a confusão no 10º Distrito Policial de Curitiba. A delegada da 10 DP, Sonia Baggio, disse que os sem-teto afirmam que a Guarda Municipal já veio perturbá-los durante a madrugada, exigindo que eles saíssem e que, pela manhã, os tirou de lá de forma truculenta. Já os guardas municipais dizem que os sem-teto é que partiram para cima da Guarda armardos com paus, pás e outros instrumentos. ''Como não temos nenhuma testemunha, teremos que fazer perícia no local e analisar os laudos de lesão corporal emitidos pelo Instituto Médico Legal. Aparentemente, vendo os ferimentos dos sem-teto, parece que houve abuso por parte da guarda'', relatou a delegada. Ninguém foi preso.
O líder do movimento, Anselmo Schwertner, que levou golpes na cabeça e quebrou o maxilar, relatou ontem que ''virou saco de pancadas'' dos guardas na confusão. ''Eles chegaram decididos a destruir tudo. As pessoas não sabiam o que fazer quando eles começaram a bater e destruir o que viam pela frente'', contou. Ele disse ainda que os sem-teto só pegaram os pedaços de pau quando tiveram que se defender dos cassetetes dos guardas. Schwertner contou ainda que ''depois de algemado e ajoelhado no chão, os guardas municipais atiraram diversas vezes ao lado de sua cabeça''. A assessoria da Defesa Civil de Curitiba diz que não vai se manifestar contras as acusações e que a questão vai ser decidida na Justiça.
O coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Sanderson Diotalevi, negou em entrevista à Folha na segunda-feira que tiros tenham sido disparados durante a desocupação. Contudo, o vereador Nilton Brandão (PT), que esteve no local, recolheu um projétil no terreno depois do confronto. A delegada Sonia afirmou que ainda não há nada confirmado e que só a perícia poderá dizer se houve realmente disparos.
O guarda municipal, José Luiz Dalla Villa, que levou sete pontos na cabeça por cuasa de uma paulada, relatou que a intenção da Guarda não era agir de forma violenta quando entrou no terreno. Ele também não soube dizer de que lado partiram as primeiras agressões. ''Não sei extamente como se deu a ação e se houve tiros porque fui ferido logo no começo da confusão e já me levaram para o hospital'', disse.
Durante a ocupação, o MNLM contava com 120 famílias, 73 a mais que as 47 que invadiram o prédio do Banestado. Segundo o coordenador estadual do movimento, Silvio José Gonçalves, ''essas pessoas a mais já voltaram para seu destino anterior, como casas de parentes, e as 47 famílias estão alojadas novamente no Sindicato dos Petroleiros (Sindipetros)''. Gonçalves afirmou que ainda não há uma definicação sobre o destino do grupo.

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