Nova Independência, SP, 13 (AE) - A prefeitura de Nova Independência, na região da Alta Noroeste, interior de São Paulo
foi multada pela Secretaria da Saúde em R$ 1.500,00, recebeu advertência e foi denunciada ao Ministério Público pela falta de solução para o problema do esgoto doméstico. Sem ser recolhido das fossas, escorre a céu aberto pelas ruas da cidade e pode ter contaminado o solo.
No bairro mais populoso, 50 famílias usam uma grande fossa coletiva, transbordante. Foi construída a menos de 80 metros dos poços semi-artesianos que abastecem de água população de 2 mil habitantes. As autoridades sanitárias suspeitam que os índices de nitratos encontrados na água em análises realizadas há mais de um ano possam ter aumentado, tornando a água imprópria para consumo humano. O caminhão limpa-fossa da prefeitura está parado há um mês.
O Ministério Público, segundo o prefeito, não permite mais que o esgoto seja retirado das fossas e lançado nas margens de estradas rurais, como se fazia. No início da semana, o prefeito Hélio Carlos Alexandre (PSDB) disse que a água era potável e de boa qualidade. Mas a chefe da Vigilância Sanitária Regional de Andradina, Solange Maria Zamboni, disse hoje que as análises são realizadas a cada três ou quatro meses e a piora no serviço de esgoto pode ter modificado o quadro.
Além disso, das 12 cidades da região, apenas duas - Ilha Solteira e Sud Menucci - tiveram a água aprovada pela Secretaria da Saúde. Nas outras, há registro de contaminação por coliformes
por falta de desinfecção nas redes e poços. Zamboni disse que deve encaminhar amanhã relatório solicitando ajuda da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambientel (Cetesb). Ele quer pelo menos melhorar a destinação do esgoto. O diretor da Cetesb em Araçatuba, José Maria Morandini Paoliello, disse hoje que fossas poderiam ser construídas em locais seguros. A alternativa seria canalizar o esgoto até uma lagoa de decantação em Andradina, distante cerca de 20 quilômetros.
Segundo Morandini, há mais de um ano a Cetesb comprovou a presença de nitratos na água que a prefeitura distribuía à população. Embora os índices não estivessem acima do permitido, a Cetesb recomendou à prefeitura que fizesse desinfecção dos poços de coleta e aumentasse a dosagem de cloro. A Pastoral da Criança de Araçatuba doou há quatro meses um equipamento cubano para tratamento da água. A máquina ainda não foi aprovada pela Secretaria da Saúde. Hoje, o prefeito Hélio Carlos Alexandre não foi localizado na prefeitura, para informar novas medidas.

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