Prefeitura e Denarc interditam hotéis e apreendem drogas em blitz na Cracolândia
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi, especial para a AE 
São Paulo, 15 (AE) - A Comissão Integrada de Fiscalização (CIF) da Prefeitura e o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) realizaram um blitz hoje na região da Cracolândia, no centro, entre 10 e 15 horas. Foram detidas 50 pessoas, interditados 7 hotéis e apreendidas cerca de 50 pedras de crack. A operação, que deve se repetir nos próximos dias, visa verificar as condições de segurança, higiene e legalidade dos imóveis, além de reprimir o tráfico de drogas na área. Ao todo, 80 pessoas participaram da ação.
Segundo o presidente da CIF e diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), Carlos Alberto Venturelli, existem cerca de 168 prédios na região. Desses, 38 estão interditados por falta de condições desde 1998. "Nosso maior problema é que os proprietários não respeitam a ordem e reabrem os estabelecimentos". Quatro dos hotéis interditados hoje já haviam sido lacrados em outras ocasiões e, mesmo assim, continuavam funcionando.
Um deles, o Hotel do Moinho, na Rua General Couto Magalhães, estava funcionando com instalações de luz e água clandestinas. No local, policiais do Denarc apreenderam 20 pedras de crack. Foram detidas três pessoas para averiguação. Durante a madrugada, o Denarc já havia prendido, no mesmo local, Aparecido Aluísio da Silva, com dez pedras de crack. Segundo o delegado do Denarc, José Roberto Arruda, Silva é um dos maiores distribuidores de droga na Cracolândia.
Os detidos foram levados à delegacia para averiguação. Apenas quatro foram presas em flagrante. Os proprietários dos hotéis lacrados também correm o risco de ser presos. Segundo o delegado, eles serão indiciados por reabrir os locais sem autorização e podem pegar até um ano de prisão. O proprietário do hotel do Moinho, Nilson Lima, 59 anos, negou estar locando os quartos. Drama - Além dos hotéis, foram vistoriados 11 bares e restaurantes. Em uma blitz paralela, a CIF interditou três postos de combustíveis por falta de segurança, na via Anchieta. Frequentadores e moradores dos prédios interditados prometem ir para locais semelhantes, na mesma região.
Segundo integrantes da CIF, alguns edifícios estão com a estrutura comprometida e correm o risco de cair. "Não tenho para onde ir; aqui pelo menos é barato e não preciso dormir na rua", disse Maria dos Santos, 23 anos. A diária nos prédios varia de R$ 10 a R$ 30.


