Curitiba- Pelo menos uma das pontes da BR-476, na entrada de São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória), vai ser restaurada. A prefeitura da cidade resolveu assumir a obra e vai investir R$ 112 mil na recuperação. O prefeito do município, Francisco Luiz Ulbrich (PDT), já informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o estado de emergência da ponte e acredita que por isso não deve ter problemas legais com o gasto. Um protesto contra a situação da rodovia está marcado para sexta-feira. O prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB), promete fechar por toda manhã o trecho que ainda não está interditado. Além disso, prefeitos da região devem se reunir na sexta também para discutir uma solução.
Segundo o secretário de comunicação de São Mateus do Sul, Luiz Renato Novakoski, a prefeitura resolveu assumir a obra porque a ponte é fundamental para a economia da cidade. ''Nossa mercadoria toda entra por lá, as pessoas que moram na zona rural precisam passar por ela. Mesmo com a estrada interditada, ela faz uma grande diferença para nós'', explicou o secretário. Para evitar futuros problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o prefeito foi até Brasília apresentar um relatório justificando a obra ao TCU. A previsão é de que até amanhã a ponte esteja liberada.
O conserto do restante da rodovia pode ser resolvido em uma reunião na sexta-feira com os prefeitos da Associação dos Municípios do Sul do Paraná (Amsupar), da qual fazem parte nove municípios. A prefeitura de Lapa, que não é membro da associação, também vai participar. A idéia é discutir com empresários e principalmente com a concessionária de pedágio Caminhos do Paraná o conserto da estrada. A concessionária estaria interessada em ajudar na manutenção porque possui um praça de pedágio na Lapa, na própria BR-476, que perdeu movimento por causa do mau estado do restante da estrada.
Os moradores de União da Vitória ameaçam o trevo Malon, no km 225 da rodovia, na manhã de sexta-feira. ''Queremos uma solução definitiva do governo. Não adianta fazer tapa-buracos se daqui pouco tempo já está tudo ruim de novo. Alguém tem que assumir esta estrada'', reclamou Hussein Bakri. União da Vitória também tem uma ponte em mau estado, porém o prefeito afirma que é impossível arrumá-la por conta própria uma vez que a obra custaria cerca de R$ 3 milhões.
A BR-476 faz parte dos 945 quilômetros que o governo federal, em 2001, transferiu ao governo do Paraná por meio da Medida Provisória 82. Porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a transformação da MP em lei e por isso o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná não reconhece a transferência. O Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre, por sua vez, afirma que os R$ 130 mil por quilômetro determinado pela MP já foram repassados ao Estado, que seria então o responsável pelos trechos. Apesar de não reconhecer a responsabilidade, DER interditou 130 quilômetros da BR-476 há uma semana devido ao perigo que a estrada está representando aos motoristas.

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