Prefeitura do Rio inaugura casa de parto
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segunda-feira, 08 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- A Prefeitura do Rio inaugurou ontem, em Realengo, na zona oeste, a primeira Casa de Parto da cidade, onde grávidas terão seus filhos assistidas somente por enfermeiras-obstetras, sem equipe de médicos. A casa é considerada uma vitória do movimento em defesa do parto humanizado, mas tem a resistência do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), que entrou com ação na Justiça, pedindo o fechamento da nova instituição.
A Casa de Parto David Capistrano Filho tem capacidade para receber 100 mulheres por mês. Há três suítes para as grávidas e seus parentes - não só a presença do pai é incentivada, como a da família também. As gestantes decidem como querem esperar pelo momento do nascimento: podem relaxar na banheira, permanecer sentada sobre uma grande bola ou numa espécie de balanço, com apoio para os braços. As 18 enfermeiras também estão capacitadas para acompanhar todo o tipo de parto natural - na água, de cócoras, na horizontal. Duas delas fizeram curso de três meses no Japão.
Durante o pré-natal, cada mulher prepara seu plano de parto, em que descreve que música quer ouvir, quem vai acompanhá-la. Só gestantes de baixo risco, que foram acompanhadas durante os nove meses pela equipe da Casa de Parto podem ter filho ali.
Técnicas polêmicas, como a episiotomia (corte lateral na vagina), soro com medicamento para indução, levar todos os bebês para a incubadora, não serão rotina na casa. ''Não há ninguém melhor para aquecer o bebê do que a mãe. Ela será a incubadora do seu filho'', diz a coordenadora da casa, a enfermeira Leila Azevedo.
O coordenador do Grupo de Trabalho Materno-Infantil do Cremerj, o obstetra Abdu Kexfe, diz que a casa representa um retrocesso para a saúde da mulher. ''A humanização do parto não pode prescindir dos médicos''.


