Londrina - Londrina entrou na guerra contra a dengue. Com índice de infestação na cidade acima do limite estabelecido pelo Ministério da Saúde, o prefeito Alexandre Kireeff decretou Estado de Emergência na Saúde e Estado Alerta Epidemiológico para o combate ao mosquito transmissor da doença. O decreto foi publicado ontem no Jornal Oficial do Município e entra em vigor a partir de hoje, com prazo de vigência de seis meses, podendo ser prorrogado por igual período.
Entre outras atribuições, a medida autoriza o ingresso forçado de agentes sanitários a imóveis particulares, "quando isso se mostrar fundamental para a contenção da doença ou do agravo à saúde". Também determina o isolamento de indivíduos, grupos populacionais ou áreas e exige o tratamento de portadores de moléstias transmissíveis, inclusive por meio do uso da força, se necessário. Com o decreto, o Município também está autorizado a remanejar servidores de outras secretarias e realizar contratações emergenciais para reforçar as equipes da Saúde que atuam no combate à proliferação do Aedes aegypti.
Até o último dia 15, foram notificados 3.801 casos suspeitos da doença em Londrina, sendo 741 confirmados, incluindo uma morte. O último Levantamento de Índice do Mosquito Aedes aegypti (LIRAa) divulgado pelo Município, referente ao período de 31 de março a 4 de abril, foi de 6,13%, abaixo do índice de 7,4% registrado em janeiro, mas ainda assim bem acima da média de 1% preconizada pela Organização Mundial de Saúde. "O índice de até 3,9% é considerado de médio risco e acima de 3,9% é considerado muito alto para um risco de epidemia. Apesar de termos diminuído o índice de infestação, ele ainda está alto", avaliou a gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde, Mirna Germiniano.
O agravante é que se antes a maioria das notificações e casos confirmados estava concentrada na região central, especialmente Vila Casoni e Vila Portuguesa, agora a infestação já ocorre nas demais regiões da cidade. "Já temos notificações e casos confirmados em todas as regiões", confirmou a gerente. A situação exige uma força-tarefa na intensificação de ações de remoção de criadouros do mosquito, uma vez que as campanhas de conscientização se mostraram inócuas.
A gerente de Vigilância Epidemiológica, Sandra Caldeira, explica que o decreto tem caráter preventivo para evitar que a cidade sofra com uma epidemia de dengue. Chamou a atenção da Secretaria de Saúde o fato do número de casos confirmados ter saltado 50% em uma semana (de 494 para 741). "Se a gente considerar que somente 40% dos casos suspeitos fazem coleta de sorologia e hoje a média de positividade é de 70%, e que há muitos casos de subnotificação (quando a pessoa tem os sintomas da doença, mas não é diagnosticada), esse número é muito maior", afirmou Sandra, lembrando também a morte de uma portadora da doença. Somem-se a esses fatores o acúmulo excessivo de lixo e materiais inservíveis armazenados nas residências ou espalhados pelas ruas e terrenos públicos e o quadro emergencial se completa. A FOLHA não conseguiu falar com o secretário de Saúde, Mohamad El Kadri.

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