Prefeitura de Uberaba decreta estado de calamidade pública
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quarta-feira, 11 de junho de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Técnicos da Ferrovia Centro-Atlântica, da Defesa Civil e homens do Corpo de Bombeiros começaram ontem a remoção dos 18 vagões que descarrilaram e tombaram na madrugada de terça-feira, a cerca de 12 km de Uberaba (472 km de Belo Horizonte). Com o acidente houve explosão e incêndio em alguns vagões da composição.
De acordo com o coronel José Roberto, da Defesa Civil Municipal, o trabalho é cuidadoso e não tem prazo para terminar. ''Os bombeiros já debelaram o fogo e realizaram o resfriamento dos vagões, mas há riscos de outra explosão pois ainda há vagões carregados com produtos químicos'', afirmou. Ainda não se sabe o que teria provocado o descarrilamento.
Dos 18 vagões que tombaram a composição era formada por três locomotivas e 33 vagões , oito transportavam 381 toneladas de metanol; cinco, 245 toneladas de octanol; dois, 94 toneladas de isobutanol e três, 147 toneladas de cloreto de potássio.
Parte da carga derramada atingiu o córrego Alegria, afluente do rio Uberaba, que abastece o município. A captação de água do rio para os reservatórios da cidade foi suspensa e cerca de 260 mil habitantes foram afetados. Municípios próximos estão colaborando enviando caminhões-pipa. A prioridade é atender escolas, creches e hospitais.
O prefeito em exercício, Odo Adão (PSDB), decretou estado de calamidade pública no município. Ontem, técnicos colheram duas amostras da água para análise no laboratório da Universidade Federal de Uberlândia. Os trabalhos são acompanhados pela Fundação Estadual do Meio Ambiente. O resultado deve sair em 48 horas. Enquanto isso o abastecimento deve continuar suspenso.
Segundo o secretário do Meio Ambiente de Uberaba, Carlos Nogueira, alguns bairros já estão ''severamente afetados'' pelo corte de água. ''A cidade pode entrar em colapso'', disse. Segundo Nogueira, a carga tóxica já atingiu a central de tratamento de água da cidade.
Não é possível prever os efeitos que a mistura dos produtos pode provocar. Isolados, de acordo com especialistas, os componentes podem provocar contaminação total da água, incêndios, mortandade de vidas aquáticas e plantas, intoxicação momentânea e cegueira definitiva no homem.


