São Paulo, 29 (AE) - O rodízio municipal de veículos entra em "férias" a partir de quinta-feira, acompanhando o recesso escolar. Mas amanhã (30), último dia da operação, ainda está proibida a circulação de veículos de placas 5 e 6. O rodízio volta no dia 2 de agosto, uma segunda-feira, quando recomeçam as aulas nas escolas. O balanço de multas aplicadas aos infratores do rodízio indica um possível relaxamento na fiscalização pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). De janeiro a maio, foram aplicadas 156.813 multas, menos que as cerca de 204 mil autuações de janeiro a abril do ano passado (de maio a setembro, esteve em vigor o rodízio estadual, que foi abandonado neste ano).
Os índices de cumprimento da restrição à circulação de veículos manteve-se praticamente estável, com 91% pela manhã, entre as 7 e 10 horas, e 86% à tarde, das 17 às 20 horas. Na média do primeiro semestre de 1998, cerca de 92% dos veículos cumpriram o rodízio pela manhã e 87%, à tarde. Para o presidente da CET, Nelson Maluf El Hage, não houve um relaxamento na fiscalização. "O que pode ter havido é um respeito maior à restrição, que não foi detectado pelo levantamento do índice de cumprimento", afirmou. "Ou uma mudança dos pontos de fiscalização, que são móveis, para áreas onde esses índices são maiores do que os anteriores. Segundo El Hage, a CET não reduziu o número de fiscais neste ano em relação ao ano passado. "É difícil afirmar categoricamente qual a razão dessa queda no número de multas, mas pode ter havido uma soma desses fatores". Apreensão - Para muitos motoristas, a suspensão do rodízio causa receio de um possível aumento dos congestionamentos, mesmo com a redução no tráfego pelas férias escolares. "Mesmo com as férias
tem muito carro rodando por aí e o fim do rodízio deve piorar o trânsito", reclama o vendedor Reginaldo Moreira, de 26 anos. Apesar de necessitar do carro diariamente para trabalhar, ele considera o rodízio eficiente para reduzir a lentidão.
A dentista Celina Maria da Silva Ferraz, de 43 anos, é uma das motoristas que deixarão de circular pela cidade durante julho. "Vou aproveitar as férias das crianças para viajar ao interior", disse. Mesmo assim, para ela a suspensão da operação deve trazer reflexos para a cidade. "É ruim para o trânsito e também para a poluição, que costuma aumentar bastante nessa época".
Apesar de ser obrigado a trocar de carro com a mulher uma vez por semana, para fugir à restrição do rodízio, o radialista Sílvio Brauna, de 35 anos, considera negativa a suspensão da ação. "Numa cidade como São Paulo, que não foi planejada para ter esse volume de tráfego e não tem um sistema de transporte com qualidade e quantidade, o rodízio é sempre necessário", justificou.

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