Prefeitura de SP promete fazer blitze em bares da periferia
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de julho de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 19 (AE) - As blitze a que estão sendo submetidos os bares das áreas nobres da cidade de São Paulo chegarão à periferia nesta semana. É o que garante o diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), Carlos Alberto Venturelli. "Vamos estender a fiscalização a toda a cidade", disse. "Vamos cobrar tudo, inclusive o cardápio em braile e o acesso para deficientes."
Na semana passada o prefeito Celso Pitta (sem partido) sancionou o projeto de lei de autoria do vereador Jooji Hato (PMDB) que obriga os bares sem revestimento acústico, estacionamento e segurança a fechar as portas até 1 hora. Mas o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo conseguiu liminar que restringe a aplicação da lei somente aos bares, sem abranger estabelecimentos que não tenham a venda de bebida como único negócio.
Mas Pitta resolveu reeditar a chamada Comissão Integrada de Fiscalização (CIF), para verificar a situação dos estabelecimentos noturnos independentemente do horário de fechamento. Fazem parte dessa operação integrada as Secretarias das Administrações Regionais, da Habitação, de Abastecimento, das Finanças e dos Transportes, além do policiamento metropolitano.
A Prefeitura prepara nova ofensiva: deverá entrar amanhã (20) com recurso para derrubar a liminar. Às 15 horas, representantes de todos os órgãos que fazem parte da CIF estarão reunidos com Pitta para definir melhor as estratégias de fiscalização. Até agora a comissão deu prioridade aos estabelecimentos dos Jardins, Vila Madalena, Pinheiros, Vila Nova Conceição, Itaim-Bibi e Bexiga. "São áreas onde há mais reclamações; a população da periferia não reclama", justificou Venturelli. Ele nega que os bares sejam "a bola da vez". "O Contru, assim como os outros órgãos, vinha agindo isoladamente."
Uso político - Para a Associação dos Bares e Restaurantes Diferenciados (Abredi), que congrega 480 estabelecimentos, a Prefeitura fez e continua fazendo uso político da lei. "É para desviar a atenção da população da CPI da corrupção, do estado calamitoso em que se encontra a cidade e dar a impressão de que se está fazendo alguma coisa", afirmou Percival Maricato, o diretor jurídico da entidade. Ele acha que existem assuntos mais relevantes como saúde, educação, poluição, saneamento básico, transportes e, ainda, dos buracos de rua. "Estão perdendo tempo, contratando fiscais e envolvendo várias secretarias para ir atrás só de alguns bares."
Maricato não acredita que os bares da periferia passem a receber a mesma atenção da Prefeitura. "Apesar do discurso do vereador Jooji Hato de combater a criminalidade, o perseguido continuará sendo o bar de renome."


