Prefeitura de SP começa a abrir rua dentro do Parque do Ibirapuera
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segunda-feira, 20 de dezembro de 1999
Por Jobson Lemos 
São Paulo, 20 (AE) - Uma obra polêmica começou a ser executada no fim de semana no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. Para evitar congestionamentos na Avenida Pedro álvares Cabral, a Prefeitura planejou abrir uma nova rua dentro do parque. Vizinhos não gostaram da idéia de ver cobertas áreas gramadas. Mais de 1.100 metros quadrados do solo do parque seriam impermeabilizados. O Ministério Público (MP) interveio. A Justiça embargou a construção em setembro de 1996.
Hoje, uma retroescavadeira abria a via numa área de onde foram retiradas 16 mudas de árvores. A grade e a mureta foram removidas e, no lugar, foi instalado um portão provisório.
O parque é tombado pelo município e pelo Estado. Os prédios do terreno, projetados por Oscar Niemeyer, são protegidos pela União. A área não pode ser modificada sem que os departamentos de proteção ao patrimônio histórico sejam consultados.
No projeto, a alça passa ao lado de várias árvores e exige o transplante de mudas para dar lugar ao asfalto. A justificativa da construção é a dificuldade dos caminhões que levam materiais ao Pavilhão da Bienal em manobrar para entrar pelo portão 3, que fica ao lado da Avenida Pedro álvares Cabral. A alegação, porém, não foi suficiente para convencer o promotor da Justiça do Meio Ambiente Daniel Fink. Ele propôs ação civil pública para impedir o início da obra.
Depois de seis meses, em abril de 1997, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura e o MP chegaram a um acordo para que o trânsito na região fique menos confuso e seja preservada a área permeável do parque. A Prefeitura comprometeu-se a retirar o asfalto de algumas vias do parque. Essas ruas seriam cobertas por um material que permite que a água chegue na terra. Com isso, a obra poderia ser realizada.
A idéia não é original. Ela está prevista no plano diretor desenvolvido por Niemeyer para o parque, nunca posto em prática. O arquiteto recomenda que todas as vias sejam permeáveis. Fink, entretanto ficou satisfeito com o acordo. "A gente melhora o acesso ao prédio da Bienal e garante a desimpermeabilização de outras áreas."
O diretor do Departamento de Parques e áreas Verdes da secretaria, Luiz Cláudio Perez, disse acreditar que as modificações não vão interferir de forma significativa no ambiente. Ele afirmou que, ao contrário do que acredita Fink, também a nova alça de acesso será construída com material permeável e não com asfalto.
O diretor da Sociedade dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia (Sojal), Carlos Pacheco Fernandes Filho, achou essa idéia melhor. "Se for isso, está muito bom." A Sojal é a principal crítica do projeto.
Além disso, o estacionamento que fica ao lado do novo portão voltará a pertencer ao parque. Uma cerca será construída ao redor, tão logo termine a construção do Complexo Cebolinha.


