O promotor de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), Cleverson Leonardo Tozatte, declarou ontem que vai entrar com ação civil pública contra a prefeitura se até o início de 2007 não forem iniciadas as obras para construção de um aterro sanitário. Em 2003, a prefeitura assinou Termo de Ajuste e Conduta com o Ministério Público se comprometendo a viabilizar a obra em 2004, mas até hoje ela não saiu do papel.
Reportagem publicada pela Folha no domingo mostrou que o atual lixão, a céu aberto, é operado pela prefeitura nas margens do rio Pindaúva - manancial de abastecimento da população. Com o acúmulo dos últimos 20 anos, o lixo ''escorrega'' pela área de mata ciliar e chega ao leito do Pindaúva em grande quantidade. Moradores do local afirmam que houve extinção de peixes nos últimos anos.
O promotor Cleverson Tozzate declarou à Folha na semana passada que tinha evitado tomar providências jurídicas para não inviabilizar a prefeitura financeiramente. ''Depois eles vão alegar falta de dinheiro para a obra por causa da multa'', justificou.
Ontem, por meio de nota à Folha, além de fixar prazo para as medidas judiciais, disse que a demora na definição de um terreno para o aterro ocorreu por ''pressão da população''.''Muitas pessoas confundem um lixão a céu aberto com um aterro e por isso não admitem que um empreendimento assim funcione em localidades próximas a suas terras.''
O coordenador de resíduos sólidos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Laerty Dudas, declarou que a preocupação maior com a questão do lixo em Ivaiporã ''está na capacitação da população para reduzir o volume gerado''.
Apesar de classificar a situação no lixão como ''irregular'', Dudas apóia posição do escritório regional do IAP de não autuar a prefeitura. ''Ainda não chegamos lá no final da problemática, estamos no começo do jogo. Com mais consciência, teremos menos lixo e menos problemas ambientais''.
O coordenador da Sema explicou que será iniciado até o final do ano projeto para produzir ''aquecedores solares'' à base de garrafas pet. ''Esse projeto é catarinense, ganhou vários prêmios e estamos trazendo para o Paraná. Já demos cursos em Foz do Iguaçu e Maringá e pretendemos chegar em Ivaiporã o mais rápido possível'', afirmou.
O professor de geografia e mestrando em resíduos sólidos e auditoria ambiental, Adriano Marcos Diglio, criticou a ênfase da Sema em projetos de longo prazo sem que a situação emergencial seja resolvida. ''Isso só pode ser brincadeira. Claro que sou a favor da reciclagem e coleta seletiva, mas não tem como pensar só a médio e longo prazos. Se não tiver uma solução emergencial também, o rio vai morrer e o lençol freático também será contaminado''. Adriano Diglio é autor da denúncia ambiental levada ao MP e Sema no início do ano.

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