Sorocaba, SP, 02 (AE) - O comandante da Guarda Municipal de Corumbá (MS), Edson Gonçalves da Silva, e quatro guardas municipais daquela cidade foram presos em flagrante, hoje de madrugada, em Itapetininga, no interior São Paulo, acusados de transferir ilegalmente 32 mendigos para cidades paulistas. O ônibus em que Silva, major reformado da Polícia Militar, e os quatro guardas transportavam os mendigos, foi parado pela Polícia Rodoviária paulista no quilômetro 160 da Rodovia Raposo Tavares. Dos moradores de rua que embarcaram em Corumbá, 16 haviam sido abandonados em cidades ao longo do percurso. Um deles foi obrigado a descer em uma rodovia federal.
Segundo um dos indigentes, Mário Arturo Castilho, ele e alguns companheiros foram abordados na noite de sábado pelos guardas municipais. Colocados em uma perua kombi da prefeitura, foram levados para o albergue municipal. Na noite de domingo, iniciaram uma viagem sem destino. "Ninguém falou para onde a gente ia", disse. Segundo ele, quem reclamasse apanhava de cassetete.
O ônibus rodou pelo norte do Paraná e foi até Foz do Iguaçu, onde ficaram alguns mendigos. Outro grupo foi deixado em Ponta Grossa. O veículo entrou no Estado de São Paulo por Itararé, na região sudoeste, e deixou outras quatro pessoas em Itapeva.
O ônibus pertence à empresa Transmeque. O motorista João Lemes Machado disse que tinha sido contratado pela prefeitura para fazer uma viagem até Foz do Iguaçu. Machado confirmou as informações dos indigentes e disse que o percurso foi determinado pelo ex-major. Explicação - O comandante da GM disse que os moradores de rua eram viciados em álcool ou drogas e causavam muitos transtornos em Corumbá, cidade que tenta desenvolver o turismo. Ele negou que tivesse feito a remoção à força e disse que o pedido foi feito pelos próprios indigentes, alegando que as cidades paulistas e paranaenses oferecem mais condições de sustento. O grupo que continuava no ônibus seria levado para Sorocaba e São Paulo.
Silva e os guardas Nestor Ojeda Neto, Jocinei Marques Leite, José Roberto Perez e Rossê Pinto de Arruda, foram presos em flagrante por crimes de sequestro, cárcere privado e porte de armas. O major reformado portava uma pistola calibre 45 e os outros guardas tinham revólveres, além de cassetetes.
O delegado José Reinaldo de Lara pretende indiciar também o prefeito de Corumbá, Éder Moreira Brambilla (PFL), por cumplicidade. O prefeito não se encontrava na cidade hoje. Seus assessores informaram que ele viajara para Campo Grande.

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