Prefeitura de BH assume culpa em incêndio e demite fiscais
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Agência Folha <br> De Belo Horizonte 
O prefeito em exercício de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), assumiu ontem publicamente que a prefeitura também tem culpa no episódio que vitimou cerca de 350 pessoas na madrugada do último sábado, quando a casa de shows Canecão Mineiro pegou fogo. Sete pessoas morreram.
A casa não tinha alvará para funcionar nem plano de segurança que incluísse saídas de emergência, hidrantes e outros itens. A conclusão de Pimentel foi baseada em sindicância interna que analisou o processo da casa noturna.
''O Canecão Mineiro funcionava absolutamente ilegal. Isso comprova que o sistema de fiscalização da prefeitura, nesse aspecto, é falho. Houve negligência da fiscalização envolvida naquele setor. A casa deveria ter sido interditada.'' Por determinação do prefeito em exercício, foram afastados dois gerentes e três fiscais da regional oeste, responsável pela área onde funcionava a casa noturna. Esses servidores, cujos nomes não foram divulgados, responderão a um processo administrativo a ser instaurado pela corregedoria do município.
O prefeito disse também que ''é falha'' a comunicação da prefeitura com os bombeiros, que em abril 1999 condenaram o local por falta de segurança. Mesmo assim, a prefeitura forneceu, dez meses depois, alvará para que uma casa noturna, anterior ao Canecão, lá se instalasse.
A provável causa do incêndio foi a queima de fogos de artifício no interior do Canecão Mineiro, quando um grupo de pagode se preparava para entrar no palco. Ainda estão internadas, em 15 hospitais, 131 pessoas, dez em estado grave. Quase todos os feridos têm problemas respiratórios e queimaduras.
O S.O.S. Vida, uma organização não-governamental, entraria ontem com liminar na Justiça para que as vítimas recebam recursos financeiros da prefeitura para a compra de medicamentos.


