Andradina, SP, 05 (AE) - A prefeitura de Andradina, no interior de São Paulo, contratava funcionários sem concurso público, por meio de um esquema clandestino, que incluía a manutenção de um caixa 2 para pagamento desses servidores.
O esquema foi admitido em depoimento de um dos fiscais da administração, Altimar Araújo, à Comissão Especial de Inquérito (CEI) formada pela Câmara Municipal.
Segundo Araújo, ele próprio era o intermediário no pagamento de pelo menos 15 funcionários. Os cheques, de R$1,2 mil, eram assinados pela prefeita Edna Brito (PRP) e descontados no caixa bancário. Um dos beneficiados pelo esquema é o mecânico Antônio José Pereira, que foi descontar o cheque nominal na companhia de Araújo. O fiscal da prefeitura, que ocupa cargo de confiança, admitiu que o dinheiro, depois de descontado, vinha para as mãos dele.
Ele usava para pagamento de quatro contratados. Todavia, parte do dinheiro, segundo ele, foi entregue para o ex-fiscal-geral da prefeitura José Carlos Gasparelli, demitido por envolvimento em corrupção.
Gasparelli negou esse envolvimento. A irregularidade aconteceu entre maio e setembro de 1997.
As contratações dispensavam concursos e aconteciam por indicações políticas, segundo o vereador Fernando Demário dos Santos (PFL), membro da CEI.
O presidente da comissão, Jamil Akio Ono (PSDB), disse que os depoimentos tomados até agora confirmam improbidade administrativa da prefeita. Mas, a exemplo do que ocorreu com outras três sindicâncias que constararam irregularidades, a CEI do Caixa 2 poderá ser abafada pela maioria dos vereadores, que recusou constituir uma comissão processante (CP) há algumas semanas.
As denúncias dos cheques de caixa fantasma foram divulgadas na imprensa local. O jornalista Marco Aurélio Souza Santos, que fez a reportagem, também registrou boletim de ocorrência na delegacia do 2º Distrito Policial (DP). Ao prestar depoimento na CEI, Souza disse ter sido ameaçado por vereadores ligados à prefeitura. Chegaram a dar conselhos para que ele "se mudasse da cidade". Para "reduzir os conflitos e discussões", o vereador Ono determinou que a imprensa deixasse de participar dos interrogatórios da comissão.

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