Para suprir a crescente demanda por álcool gel, máscaras, luvas, roupas e outros equipamentos de proteção descartáveis nos hospitais, puxada pelo avanço do novo coronavírus (covid-19), a Prefeitura de Londrina e está requisitando a venda direta por fornecedores locais, prerrogativa que dispensa a abertura de uma licitação. O objetivo é encaminhar os EPIs (Equipamentos de Proteção Individua) aos servidores da saúde e demais profissionais, além de portadores do covid-19 e casos suspeitos, que estão na linha de frente do combate ao vírus e já encontram dificuldades em adquirir os produtos.

A solução emergencial começou com visitas às empresas de Londrina e região no final da semana passada e deve se estender ao longo das próximas, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Gestão Pública. Os servidores da pasta também estão à disposição para tirarem dúvidas dos empresários pelo telefone (43) 3372-4383.

De acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Fábio Cavazotti, o grupo de trabalho que vai coordenar o processo de compra não poupará esforços para que o município adquira produtos também de empresários de pequeno e médio portes, independentemente de possuírem os produtos para a pronta entrega.

“Esse termo dá ao município a prerrogativa de requisitar os produtos. Todos vão ser pagos e obviamente o preço tem que ser o de mercado. Se bem que nós estamos tendo, obviamente, uma oscilação do preço de mercado muito consistente, algum aumento com a demanda pode haver, agora o abuso o Procon está verificando”, afirmou Cavazotti.

A crise tornou-se bastante complexa uma vez que a maioria dos fabricantes é de fora do Brasil e muitos fornecedores brasileiros também buscam exportar os seus produtos, o que, paradoxalmente, foi registrado em Londrina, segundo Cavazotti.

Flaviano Feu Venturim, presidente da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado), lembrou que os governos de vários países estão requisitando que os estoques sejam destinados para o consumo interno e concordou que muitos fornecedores têm aumentado os preços especialmente das máscaras. No entanto, ponderou que a população também precisa fazer a sua parte seguindo as orientações do Ministério da Saúde que não recomenda o uso para todos.

“Muitas pessoas compraram máscaras e reduziram os estoques dos fornecedores. Se a China conseguir controlar a doença lá, pode haver um reabastecimento do mercado. Temos que fazer um esforço para reverter as várias indústrias regionais para a produção de itens de proteção individual, álcool”, avaliou.

Enquanto isso, empresas de e-commerce decidiram isentar as empresas fornecedoras destes produtos das taxas cobradas normalmente para a venda pelo site justamente para colaborar com o setor. Em contrapartida, diretores de hospitais e clínicas de Minas Gerais denunciam o “boom” nos preços que chegou a 1.438% de reajuste em alguns casos.

O aumento abusivo nos preços do álcool gel e máscaras também foi visto em Londrina, o que passou a ser proibido por um decreto publicado pelo prefeito Marcelo Belinati. Já o Procon da cidade chegou a notificar nove comerciantes do município a apresentarem os recibos de compra dos produtos dos últimos três meses de modo a tentarem comprovar que o encarecimento se deu por conta de reajustes nos preços dos fornecedores e não por uma oportunidade de aumentarem os lucros com a pandemia do coronavírus.

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