Prefeitura coíbe formação de favela
Marcos Zanatta
De Maringá
O setor de fiscalização da Prefeitura de Maringá está notificando os moradores que construíram barracos no Jardim Tarumã 2, na zona sul da cidade. O bairro, um loteamento lançado este ano, tem pelo menos 80 famílias e cerca de 10 barracos. Os moradores que estão construindo cobram melhorias para o local, mas temem a expansão do número de barracos, que pode transformar a área em uma favela.
Os moradores vêm reclamar que não há asfalto, ônibus, escola, posto de saúde e creche, mas a preocupação maior é com os barracos, diz o presidente da associação do bairro, José Ferreira Dantas. O problema do loteamento, segundo ele, é o custo e a facilidade de pagamento dos terrenos.
O chefe de fiscalização da prefeitura, Adalto Almir Brás, tem a mesma opinião: Somos contra loteamentos com preços baixos, afirma. Ele explica que as famílias compram o terreno, fazem sacrifício para pagar e sem alternativa constroem barracos.
Maringá não tem favelas e não podemos permitir a presença de barracos em nenhum local da cidade, enfatiza. Segundo Brás, as famílias estão sendo notificadas e tem prazo de 30 dias para pelo menos iniciar a construção de casas. Depois do prazo, a prefeitura faz o despejo e retira o barraco.
A dona de casa Damiana de Oliveira mudou para o bairro com o marido e três filhos há cinco meses. Ela conta que morava em São Paulo, onde o marido, ajudante de pedreiro, estava desempregado. Chegando em Maringá, a família comprou um terreno para pagar por mês.
Ela não soube informar o valor da prestação, mas disse que não sobra dinheiro para mais nada. A saída foi construir um barraco. A prefeitura já fez a notificação, mas o marido não tem como construir uma casa. Ele só achou emprego agora e não sobra nada para a gente comprar material, justifica.
Em outro barraco do bairro, uma menor de idade diz que a família morava em Sarandi e os pais estavam na cidade catando lata de alumínio para vender. Ela não soube precisar há quanto tempo mora no barraco e garantiu que ninguém da prefeitura procurou os pais desde que se mudaram para o local.
Nos outros barracos os moradores preferem não falar. A gente procura a prefeitura e eles alegam que não podem fazer nada, e nós também não, disse um aposentado que pediu para não ser identificado.





