Prefeitura acaba com multa que provocou "guerra" dos perueiros
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Valéria Rossi 
São Paulo, 05 (AE) - A Prefeitura decidiu abolir a medida que provocou a chamada guerra dos perueiros nos primeiros meses deste ano em São Paulo. Desde a semana passada, três dias depois de o prefeito Celso Pitta (PTN) voltar ao cargo e ao Palácio das Indústrias e ser carregado nos ombros por líderes de perueiros, deixou de valer a decisão de cobrar uma multa de R$ 3.192,30 para a liberação de lotações apreendidos.
Com a determinação da semana passada, o perueiro fica isento da multa até a data de licenciamento do carro. Para retirar o veículo, ele só precisa saldar algumas taxas, que somam em média R$ 800. Exatamente como era antes da medida tomada em janeiro e que foi o estopim de inúmeros incidentes, acidentes, incêndios em ônibus e um bate-boca interminável do prefeito com o governador Mário Covas para a liberação da Polícia Militar no combate às peruas clandestinas.
Para os perueiros a liberação da multa é uma maquiagem. Eles tem certeza que o adiamento na quitação da multa para liberar as peruas clandestinas é um ato de desespero do prefeito para obter o apoio da categoria. Para eles, a estratégia de rolar a dÍvida para a data de licenciamento dos carros não passa de uma manobra eleitoreira.
"O prefeito está tão mal das pernas que agora resolveu dar um de bonzinho para conseguir nosso apoio", disse o fiscal dos perueiros da região sul, Lourival Zacarias Alves, de 37 anos. O fiscal ressalta que os perueiros não se enganam com a "pseudo-anistia" promovida pela administração. Ele e, pelo menos, mais 20 perueiros, que estavam em um estacionamento da zona sul, usado como terminal pelos perueiros, lamentaram a posição de alguns companheiros. Acusaram os perueiros Haroldo Mariano e Francisco de Mola Neto de liderarem uma minoria em favor ao prefeito.
Para o perueiro Exupério Silva, de 30 anos, Neto e Mariano estão se comportando como cabo eleitorais de Pitta. "Eles foram comprados; mudaram de lado; são traidores", lamentou. A dupla vem marcando presença em vários eventos ao lado do prefeito.
Alternativa - Silva disse que a orientação é para que os perueiros continuem recorrendo à Justiça para liberarem seus carros. "Essa multa de mais de R$ 3 mil é ilegal; o prefeito sabia disso o tempo todo." Para Irineu Aparecido, de 62 anos, essa é mais uma estratégia da Prefeitura para arrancar dinheiro dos perueiros.
"A gente tira o carro; volta para rua porque precisa e tem o carro apreendido novamente", afirma. "Vamos começar a acumular multas e mais multas." Aparecido disse que está há seis meses sem trabalhar e teme voltar às ruas. Segundo ele, as blitze da Prefeitura estão cada dia mais frequentes. "Eles querem ver todo mundo enforcado para que ninguém tenha chance de ganhar a concorrência."
A entrega com as propostas para concorrência do transporte alternativo da cidade será no dia 17. "Nem tenho ilusões, a administração do Pitta é um jogo de cartas marcadas"
disse Aparecido.
Até os que têm alvará para circular na cidade contestaram a medida do prefeito. Para José da Rocha, de 37 anos
o prefeito perdeu o controle da situação. "Ele está tentando agradar para ganhar apoio." Rocha alega que esse adiamento deve ser prolongado até as eleições. "Depois os perueiros pagam ou perdem seus carros."
Prefeitura - O secretário getúlio Hanashiro, dos Transportes, disse que a medida foi tomada por "razões técnicas".


