Alexandre Sanches
Enviado a Cândido Mota
A luta para que os municípios atingidos pela barragem da hidrelétrica Capivara, no Rio Paranapanema, recebam os royalties e outras compensações financeiras por problemas ambientais, vai decidir o futuro do leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que acontece no dia 28. O prefeito de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio) e presidente do Consórcio de Proteção da Bacia do Capivara, Renato Tavares, e o de Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), Antônio Carlos Bassi, participaram ontem da inauguração do complexo hidrelétrico Canoas, em Cândido Mota (SP), e divulgaram para a imprensa as ações dos municípios paranaenses contra a Cesp.
‘‘Para o Estado de São Paulo fizeram tudo. Para o Paraná, não houve nada. Não culpo a Cesp diretamente, mas as autoridades políticas que foram omissas na compensação aos municípios atingidos’’, comentou Tavares. Ele lembrou que os 11 municípios que integram o consórcio protocolaram 7 ações cada um, solicitando providências na questão ambiental como escada para peixes, limpeza da represa, recomposição da mata ciliar e eclusas para navegação em todo o Paranapanema.
Destas 77 ações, a Justiça concedeu 7 liminares, que podem interromper o leilão da Cesp. A assessoria jurídica da companhia informou que estas liminares foram cassadas e por isso foi marcada a data do leilão. ‘‘Estamos brigando na Justiça para que neste período de férias forenses os juízes substitutos analisem os outros processos e conceda as liminares’’, ressaltou Tavares.
O diretor de Meio Ambiente da Cesp, Daniel Antônio Salati Marcondes, informou que todas as questões ambientais, tanto de Canoas 1 e 2 quanto das outras seis hidrelétricas construídas no Paranapanema, estão em conformidade com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ‘‘Estamos em dia com as ações ambientais. Há introduções que demoram um pouco a acontecer. Muitas solicitações dos municípios paranaenses são de ordem social e não ambiental’’, salientou.
Marcondes disse que a Cesp está trabalhando na questão de repovoamento do rio e recomposição de mata ciliar. Porém, as matas estão sendo replantadas pela Cesp nas áreas de propriedade da companhia. ‘‘Nas áreas particulares cabe ao órgão fiscalizador cobrar a sua recomposição’’, afirmou. Segundo Renato Tavares, somente depois das ações na Justiça a Cesp passou a dar atenção aos prefeitos paranaenses.Durante inauguração do Complexo de Canoas, municípios paranaenses atingidos pela barragem de Capivara cobraram benefícios
Milton DóriaOBRA CONCLUÍDABarragem de Canoas 1, em Cândido Mota (SP), que faz parte do complexo hidrelétrico Canoas, inaugurado ontem

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