Curitiba- O trecho da BR-476 que ainda não está interditado será fechado, hoje, das 8 horas ao meio-dia, durante um protesto que deve contar com a participação de dez prefeituras de municípios do Sul do Paraná e da cidade catarinense de Porto União, que faz divisa com União da Vitória, no lado paranaense. O impasse sobre a situação da BR-476 persiste desde o dia 30, quando o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) interditou 130 quilômetros da estrada devido ao perigo que representa aos motoristas.
De acordo com o prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB), caso o governo federal não envie representante à região e não se comprometa com a recuperação da estrada, os municípios prometem fechar a estrada por tempo indeterminado.
''Será um movimento pacífico de toda a sociedade civil da região Sul do Estado e Norte de Santa Catarina, que exige uma solução para a situação da estrada e das pontes'', afirmou ontem o prefeito.
A Prefeitura de São Mateus já anunciou que assumirá as obras de recuperação da ponte que fica na entrada do município, com investimentos de R$ 112 mil. Sobre a recuperação da ponte dos Arcos, situada em União da Vitória, Bakri diz que o município não tem condições de arcar com despesas de R$ 3 milhões necessárias para a recuperação.
Os nove prefeitos, organizadores do protesto, e pertencentes à Associação dos Municípios do Sul do Paraná (Amsupar), também reúnem hoje para definir novos rumos ao movimento. De acordo com Bakri, a Prefeitura de Porto União decidiu aderir ao protesto porque, desde a interdição da BR-476, os veículos estão sendo obrigados a fazer o desvio passando dor dentro das cidades de União da Vitória e Porto União para daí chegarem à SC-280 e, posteriormente, à BR 116, na altura de Mafra, cidade catarinense que faz fronteira com Rio Negro (109 km a sudoeste de Curitiba).
''Com isso, 300 caminhões por hora estão passando nas duas cidades, o que está deteriorando o asfalto. Sem contar que a SC-280 não tem perfil para tráfego pesado'', diz o prefeito, ressaltando que é necessário uma solução definitiva do governo federal para a recuperação e posterior fiscalização do tráfego.
A BR-476 faz parte dos 945 quilômetros que o governo federal, em 2001, transferiu ao governo do Paraná por meio da Medida Provisória 82. Porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a transformação da MP em lei e por isso o DER do Paraná não reconhece a transferência. O Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre, por sua vez, afirma que os R$ 130 mil por quilômetro determinados pela MP já foram repassados ao Estado, que seria então responsável pelos trechos.

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