Prefeitos do Sudoeste e Centro-Oeste do Paraná, onde há vários assentamentos e acampamentos de sem-terra, querem que o governo do Estado determine cautela à Polícia Militar no cumprimento de ordens de reintegração de posse. A maior parte dos 20 prefeitos que integram a associação regional de municípios (Cantuquiriguaçu), está desde ontem em Curitiba, para contatos com o a direção do Incra e com os secretários de Segurança Pública, José Tavares, e de Justiça, Pretextato Taborda.
Hoje os prefeitos participam de reunião da entidade, no escritório de representação, para definir estratégias de atuação. O prefeito de Nova Laranjeiras, José Lineu Gomes (PTB), presidente da Cantuquiriguaçu, comentou: ‘‘ Estamos abraçando a causa de seres humanos com a mobilização para tentar impedir que ocorram atos violentos’’.
Há preocupação especial com a possibilidade de que ocorra enfrentamento entre a PM e as 1,2 mil famílias que ocupam a área conhecida como Bacia, no Imóvel Rio Iguaçu, em Quedas do Iguaçu. A empresa Araupel, dona do imóvel, obteve no ano passado ordem judicial para ser reintegrada na posse. O cumprimento da medida pode ocorrer a qualquer momento. Os sem-terra dizem que vão resistir ao despejo.
Os prefeitos também questionam o tratamento dado às 36 famílias despejadas no início da semana passada da Fazenda Solidor, em Espigão Alto do Iguaçu, onde estavam desde 86, com anuência do Incra. Os proprietários não aceitaram valores da indenização proposta para a desapropriação e recorreram ao Supremo Tribunal Federal, conseguindo reintegrar-se na posse.
As casas foram destruídas e a maior parte dos sem-terra levada para um ginásio de esportes da cidade, onde permanecem em condições precárias. Os prefeitos querem que o Incra ofereça área (com infra-estrutura e moradias) no próprio município, para reassentá-los. As moradias poderiam ser as que foram edificadas para operários que trabalharam na Usina de Segredo, no Rio Iguaçu, e estão desabitadas.
Os prefeitos de pequenos municípios da região onde há assentamentos já regularizados destacam a importância que têm para a economia regional, pela produção agrícola. Em algumas localidades os assentados são a maioria da população e ‘‘alimentam’’ o comércio e outros negócios.

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