Curitiba - Centenas de pessoas fecharam, ontem, vários trechos da BR-476, que está com 130 quilômetros interditada devido o perigo que a estrada representa. São buracos na pista, falta de acostamento e pontes em estado precário e que podem desabar a qualquer momento. A manifestação contou com o apoio de dez prefeituras do Sul do Paraná e da cidade catarinense de Porto União, que faz divisa com União da Vitória.
O prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB) lembrou que o município de 48,4 mil habitantes e uma taxa de crescimento de 1,33% ao ano precisa da rodovia para o transporte de mercadorias produzidas na região.
Um dos setores que mais tem sofrido com a interdição da rodovia é o madeireiro. ''Essa é a Rodovia do Mercosul. Não podemos ficar sem ela. Precisamos de uma resposta imediata do governo federal'', disse, salientando que a rodovia tem movimento diário de oito mil veículos. Caso não haja uma resposta definitiva, os prefeitos ameaçam fechar a rodovia por tempo indeterminado no fim do mês.
O protesto começou por volta das 8 horas. Durante as cinco horas de manifestação, formaram-se congestionamentos de mais de cinco quilômetros. O caminhoneiro Márcio Vargas, que estava com o caminhão repleto de compensados em União da Vitória (237 km de Curitiba) desabafou: ''Essa rodovia é de suma importância. Uma das principais artérias do Brasil.''
O prefeito de São Mateus do Sul, Francisco Luiz Ulbrich (PDT), resolveu assumir parte dos investimentos para recuperação da ponte na entrada do município para evitar bloqueios e interdições na região. Os valores necessários somariam R$ 112 mil.
A assessoria de imprensa do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) informou, ontem, que não pode investir na área enquanto não houver uma decisão jurídica ou política sobre o tema. É que em dezembro de 2001, o governo federal transferiu 945 quilômetros da BR-476 para o Paraná por meio da Medida Provisória (MP) 82. No final do governo Jaime Lerner (PSB) foram transferidos R$ 72 milhões para a recuperação da rodovia. No início do governo Roberto Requião (PMDB) teriam sido pagos outros R$ 48 milhões.
A assessoria de imprensa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) afirma que a MP foi revogada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o que invalidaria a transferência da rodovia federal para o Paraná. Sobre os recursos, o DER informou que os valores foram usados em outros gastos, como a duplicação da BR-467, entre Cascavel e Toledo.

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