Prefeitos do Pará reivindicam mais verbas para a reforma agrária
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 15 (AE) - Dezoito prefeitos do sul do Pará estão se mobilizando para ir à Brasília reivindicar do Ministério de Política Fundiária mais verbas para a reforma agrária na região. Eles afirmam que o corte de 60% nos recursos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), programados para este ano nos 150 assentamentos do sul e sudeste paraense, foi além das expectativas das prefeituras.
O prefeito de Conceição do Araguaia, José Alberto Branco (PSDB), não aceita redução tão drástica de verbas, afirmando que o governo federal não pode esquecer que é no Pará que estão os maiores problemas fundiários do País. "Ao invés de resolver problemas estão querendo estimulá-los com a redução dos investimentos na reforma agrária", critica Branco.
Ele e outros 12 prefeitos estiveram no final da semana passada reunidos em Marabá com diretores do Incra na região. Ouviram o que não queriam: o superintendente do órgão, Vitor Hugo da Paixão Melo, lamentou a limitação de recursos, sugerindo que os cortes poderão ser compensados com parcerias entre o governo do Pará, municípios e governo federal. "De onde vamos tirar dinheiro, se os municípios estão falidos", reagiu Branco.
A prefeita de Parauapebas, Ana isabel Salmen (PSDB), disse que as 58 mil famílias assentadas pelo Incra vão passar por momentos "muito difíceis". Não é possível, segundo ela, que os R$ 21 milhões liberados ano passado somente para infra-estrutura nos assentamentos, tenham sido reduzidos para R$ 8,5 milhões.


