Por Angela Lacerda
Recife, 31 (AE) - Depois de quase cinco horas de reunião
na sede da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), prefeitos, secretários de Estado e trabalhadores rurais aprovaram hoje uma proposta para enfrentar a estiagem que atinge oito Estados da região, que entrou no segundo ano consecutivo no semi-árido. As reivindicações serão entregues amanhã (01) ao ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra
pelo superintendente da autarquia, Aloísio Sotero.
Caso o governo federal não atenda a proposta, prefeitos de oito Estados atingidos pela seca - PE, BA, AL, PB, RN, CE, PI e MG - prometem fechar as prefeituras e interditar rodovias, por uma hora, no próximo dia 15. Se a "advertência" não tiver efeito, os prefeitos já admitem, como medida extrema, a possibilidade de pedir intervenção federal em seus municípios. "A situação não é simples como se quer fazer parecer, ninguém está brincando quando fala em miséria e fome", afirma o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Sérgio Miranda, coordenador e idealizador do protesto intitulado "SOS Seca".
Entre os pedidos estão o aumento do valor da bolsa do alistado em frentes produtivas dos atuais R$ 48,00 para meio salário mínimo (R$ 68,00); pagamento, também pelo governo federal, de mais R$ 5,00 por alistado para custeio de material e equipamento para pequenas obras hídricas e capacitação em convivência com a seca; e outros R$ 10,00 por alistado (R$ 3,00 do governo federal e R$ 7,00 dos governos estaduais) para investimentos em obras estruturadoras hídricas como barragens, perfuração de poços e pequenas adutoras. A idéia é que estas propostas tenham validade por cinco anos.
"O que se pede não é inviável e pode tornar o semi-árido independente de programas de emergência", defendeu o secretário de Desenvolvimento Social de Pernambuco, José Arlindo Soares. "Hoje, o que o governo faz é garantir que não se morra de fome, mas do ponto de vista estruturador, o programa da seca não tem eficiência, com raríssimas exceções onde se tem um prefeito muito ativo ou uma igreja forte". Segundo ele, em cinco anos o conjunto de obras realizado criaria um "colchão de proteção" contra a seca, dando condições à população de conviver com a estiagem. "A gente não aguenta mais ficar de pires na mão cada vez que tem uma seca", acrescentou o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, Sérgio Miranda, que também estará em Brasília amanhã para conversar com o ministro Bezerra e o vice-presidente da República, Marco Maciel.
A proposta inclui ainda pedido de ampliação do número de alistados, o pagamento dos três meses de salário atrasado, a aquisição dos produtos das cestas básicas nos municípios a fim de movimentar o comércio local e a unidade da gestão das cestas básicas do programa Comunidade Solidária e do programa de emergência da seca.
Existem 1.382 municípios afetados pela seca no Nordeste, norte de Minas e Espírito Santo. Desses, 706 se encontram em estado de emergência ou de calamidade pública e são atendidos com as frentes de emergência e cestas básicas do governo federal.

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