O prefeito de Ribeirão Claro, Mário Augusto Pereira (PTB), vai pedir ao governador Jaime Lerner (PFL), na segunda-feira, que a Copel repasse à Companhia Santa Cruz de Energia Elétrica, de São Paulo, energia suficiente para abastecer o município, a fim de retirá-lo do esquema de racionamento, determinado pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE).
A Câmara divulgou anteontem as regras para as cidades que estão fora das regiões de racionamento (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste) mas que são abastecidas por companhias dessas regiões. No Paraná, três municípios localizados no Norte Pioneiro abastecidos pela Companhia Santa Cruz terão que entrar no racionamento, reduzindo o consumo de energia em 20%: Ribeirão Claro, Jacarezinho e Barra do Jacaré.
O prefeito Mário Pereira esteve na GCE, em Brasília, na última quarta-feira, para tentar reverter a situação. ‘‘Eu tinha informações extra-oficiais de que entraríamos no racionamento e fui conversar com os membros da Câmara. Infelizmente não consegui nada’’, contou Pereira. Segundo ele, a economia do município será prejudicada pela determinação da GCE. ‘‘Vamos enfrentar os mesmos problemas do Estado de São Paulo, de diminuição de produção e desemprego.’’
Mário Pereira lembra que a hidrelétrica Xavante, do grupo Duke Energy, fica no município. ‘‘Geramos energia e teremos que economizar. Isso não é justo’’, protesta o prefeito. ‘‘Na década de 60 tivemos dez mil alqueires alagados por causa da usina, o que provocou uma perda de população de cerca de quatro mil pessoas e, consequentemente, uma menor cota no Fundo de Participação dos Municípios.’’
Pereira acredita que o racionamento em Barra do Jacaré seja reversível. ‘‘Tenho informações da própria Santa Cruz de que aquele município está sendo abastecido com energia da Copel. Queremos o mesmo benefício’’, afirmou.
O prefeito de Barra do Jacaré, José Adão Zanette (PFL), acredita que a Câmara tenha cometido um engano. ‘‘A Santa Cruz compra a energia da Copel para repassar para o município. Só usamos energia de São Paulo em caso de emergência’’, disse.
Ontem, Zanette tentava marcar uma reunião com os outros dois prefeitos para discutir o assunto. ‘‘Estamos no Paraná. Isso é uma grande injustiça do governo federal’’, reclamou. Na segunda-feira, ele deverá procurar a Santa Cruz para tentar esclarecer se Barra do Jacaré realmente vai ter que entrar no esquema do racionamento. ‘‘Desde janeiro, 15 aviários estão se instalando no município. Esse é um tipo de atividade que utiliza muita energia elétrica. Se os produtores tiverem que economizar, serão prejudicados.’’
Ontem pela manhã, a Folha tentou contatar o prefeito de Jacarezinho, José Antonio de Oliveira, mas não obteve o retorno das ligações telefônicas. A gerente da Associação Comercial e Industrial de Jacarezinho, Andreia Braz, considera o racionamento injusto para toda a população brasileira. ‘‘Foi negligência do governo federal. Todo mundo deveria reclamar’’, afirmou.
O segurança Gilberto Cássio, morador de Jacarezinho, também não concorda com o racionamento. ‘‘A gente está no Paraná. Não temos nada a ver com São Paulo.’’ Apesar disso, Cássio disse já estar economizando energia elétrica em sua residência.

mockup