São Paulo, 15 (AE) - O prefeito de Diadema, Gilson Menezes (PSB), - contra quem pesa um pacote de 30 decretos de intervenção estadual -, alega que não tem dinheiro para pagar os precatórios, mas avisa: não deixa sua cadeira nem à força. Para impedir que algum interventor o tire da prefeitura, Menezes providenciou grossas correntes com as quais pretende manter-se "preso" no gabinete que ocupa pela segunda vez. "Vou resistir
daqui eu não saio", disse hoje.
Eleito com 90 mil votos, Menezes - prefeito pela primeira vez pelo PT, entre 1983 e 1988, e duas vezes deputado estadual - considera a intervenção "uma injustiça contra a população, uma medida radical e drástica". A prefeitura deve R$ 100 milhões em precatórios. Pelo menos R$ 20 milhões correspondem aos processos que provocaram ordens de intervenção. Na segunda-feira, o governador Mário Covas telefonou para o prefeito: "Estou sendo muito pressionado; se você não resolver a questão até quinta tenho de nomear interventor", avisou Covas.
Menezes disse ao governador que ofereceu aos credores uma "área nobre" - centro da cidade, com 7 mil metros quadrados -, avaliada em R$ 4,08 milhões, mas não houve acordo. "É justo que os credores queiram receber, mas não podemos esquecer que existe uma indústria dos precatórios", disse.
Conformado, o prefeito de Itapuí, Abib Azer (PPB), conhecido como "Bibo", disse que deixa o posto quando chegar o interventor. "Estou sendo vítima de um ato que não pratiquei, mas, se aparecer o interventor, vou embora, porque não tenho como pagar essa dívida", disse. Com um único precatório no passivo - a crédito da Central Paulista de Açúcar e álcool S/A, que teve área de seis alqueires desapropriada em 1985 -, Itapuí parece não ter saída. O valor da dívida chega a R$ 28 milhões. O orçamento da cidade para este ano é de R$ 4 milhões.
A prefeitura criou um parque industrial na área desapropriada. Hoje, 30 pequenas empresas operam ali, mantendo mil empregos. "Bibo" diz compreender "os interesses dos credores", mas faz uma comparação: "Um alqueire em Itapuí custa hoje uns R$ 15 mil, não sei como esse precatório alcançou tal valor." O prefeito informa que a folha de pessoal consome 50% do orçamento. Outros 25% são aplicados na educação e 20% na saúde. Os 5% restantes são investidos na reposição de peças e equipamentos. Num esforço para resolver o impasse, "Bibo" chegou a pensar em abrir mão desses 5%, o que tornaria disponíveis R$ 200 mil. "Mesmo assim eu levaria 150 anos para pagar o precatório", observa.

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