Monica Zarattini/Agência Estado
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ComissãoDeputados conversam no velório do sem-teto Geraci, morto no conflito RIO - O governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), condenou ontem o teor das declarações do principal líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MST), João Pedro Stédile, que pregou a invasão de terrenos urbanos, fábricas e supermercados, pelos sem-teto e desempregados das cidade. ‘‘Esse tipo de declaração é perigosa, porque rompe com a convivência e o acordo democrático na sociedade, uma conquista obtida após longo período de ditadura’’.
Buarque, que participou do 9º Fórum Nacional, do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), disse entender ‘‘o desespero de Stédile, que tem lutado muito em favor da reforma agrária’’. O governador, no entanto, disse ter sido ‘‘radicalmente contra a conclamação do MST e também contra o espaço dado no noticiário dos jornais para as declarações de Stédile’’.
Já o prefeito de Porto Alegre, Raul Pont (PT), considerou que ‘‘houve um exagero na interpretação das palavras de Stédile’’. Segundo Pont, no município que governa, ‘‘existem ocupações que já existem há dez anos, como a do Parque dos Maias e a do Conjunto Rubem Berta’’. Ele disse que na capital gaúcha existe déficit habitacional de 50 mil moradias, mas a especulação em terrenos ociosos está sendo combatida com IPTU progressivo. Pont considerou que os sem-teto não têm o nível de organização que justifique ‘‘o chamamento feito por Stédile’’. Ele disse que as adminitrações petistas não temem a organização popular.
Também presente no Fórum, o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), classificou as declarações de Stédile como ‘‘absurdas e irresponsáveis’’.
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), disse que a declaração de Stédile é leviana. ‘‘Precisamos estimular o diálogo e não o confronto’’, afirmou. O prefeito de Recife, Roberto Magalhães (PFL), também condenou as declarações de Stédile, mas ressaltou que o governo deve se preocupar com questão habitacional. ‘‘Tive duas decepções, com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que informaram que não funcionam programa de habitação no País, porque o Brasil não dispõe de um plano nacional de habitação’’.
Sem-teto - Seis deputados federais da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, estiveram ontem em São Paulo para acompanhar as investigações policiais sobre a ação da Polícia Militar durante o cumprimento da liminar de reintegração de posse dos prédios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), na Fazenda da Juta, em Sapopemba. Na tentativa de despejo, três pessoas foram mortas.
Além de Gabeira, vieram a São Paulo os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Nilmário Miranda (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Dalila Figueiredo (PSDB-SP), Marta Suplicy (PT-SP) e Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP). Para alguns dos deputados, o revólver e os supostos coquetéis molotov encontrados pela PM no prédio do CDHU podem ter sido forjados.

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