Prefeitos confirmam feriado e bloqueios em estradas de PE em protesto ontra governo federal
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 13 (AE) - Cerca de 80 prefeitos de municípios pernambucanos, em reunião com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel Santos, decidiram hoje montar bloqueios em pelo menos 12 pontos de sete rodovias no Estado, na próxima quarta-feira (15), em protesto contra o que classificam de descaso do governo federal em relação a seca que atinge a região. Além dos bloqueios, que deverão durar uma hora, os prefeitos confirmaram hoje a promessa de decretar feriado em seus municípios no mesmo dia. O movimento deve se estender por todo o Nordeste e Minas Gerais.
Os bloqueios deverão ocorrer nas BRs 101, 116, 232, 316, 408, 423 e 428 - abrangendo todas as regiões do Estado. Nos locais a serem interditados trafegam, por hora, 3.660 veículos, de acordo com o Departamento nacional de Estradas e Rodagem (Dner). Os sindicatos de trabalhadores rurais ameaçam ocupar as prefeituras que não bloquearem suas estradas. Segundo o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Sérgio Miranda, o governo federal está trabalhando para desmobilizar os prefeitos de todo o semi-árido. Ele, porém, acredita que somente o Rio Grande do Norte, terra do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, ficará de fora do protesto.
Durante a reunião de hoje, no Recife, o deputado federal Carlos Batata (PSDB) pediu um voto de confiança, em nome do ministro Fernando Bezerra, que foi negado. Ainda segundo Miranda
todos os presidentes de associações de prefeituras do semi-árido foram convidados para uma reunião com o ministro, amanhã à tarde, em Brasília. "Eu vou para o encontro com o ministro, mas já deixo tudo organizado para o protesto", afirmou Miranda. "Se ele quisesse evitar a manifestação, pelo menos teria atualizado os salários dos alistados, que estão com três meses de atraso, e regularizado a distribuição de cestas básicas".
Os prefeitos reivindicam a ampliação das frentes de emergência, aumento do salário dos alistados - de R$ 48,00 para R$ 68,00 - e manutenção do programa de combate aos efeitos da seca por cinco anos, entre outros itens.


