Prefeitos apóiam marcha sem-terra
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Das agências 
Agência EstadoSob sol ou chuvaA marcha dos trabalhadores rurais de vários pontos do País rumo a Brasília vai durar dois meses. Eles protestam contra a política de reforma agrária do governo federal e querem punição aos responsáveis pelo massacre de 19 sem-terra de Eldorado de Carajás (PA)SÃO PAULO - Prefeitos do PSDB e PTB apoiaram a marcha de mil quilômetros dos sem-terra, de São Paulo e Brasília, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Cerca de 600 sem-terra saíram de São Paulo no dia 17 de fevereiro. A marcha vai durar dois meses, em protesto contra a política de reforma agrária do governo. Os sem-terra também querem a punição dos responsáveis pelo massacre de 19 sem-terra em Eldorado de Carajás, no Pará. Apesar de ser do partido do presidente Fernando Henrique, Miguel Haddad (PSDB), prefeito de Jundiaí (60 quilômetros a noroeste de São Paulo), uma das cidades do trajeto, disse que a política agrária do governo é insatisfatória e responsabiliza os 200 deputados da bancada ruralista no Congresso.
Haddad cedeu, ontem, o paço municipal da cidade para os sem-terra pernoitarem e doou alimentos. Anteontem, os sem-terra dormiram no ginásio municipal de Cajamar, a 25 quilômetros de São Paulo. O prefeito de Cajamar, Antonio Ribas (PTB), ex-adversário dos sem-terra, hoje defende a reforma agrária com bom senso.
Os cerca de 400 sem-terra de Minas, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, que integram a marcha nacional à Brasília caminharam ontem mais 20 quilômetros. Eles acamparam no final da tarde às margens da BR-381, na entrada da cidade de Periquito, a cerca de 50 quilômetros de Governador Valadres, Nordeste de Minas, de onde partiram na segunda-feira.
Às 19 horas, segundo o coordenador do MST, Juraci Portes, os integrantes da marcha promoveriam um ato público em Periquito, com o apoio do prefeito do município, Eduardo Barrel (PSDB). Os manifestantes usavam tarjas negras nos braços e colocaram uma tira da mesma cor sobre a bandeira nacional, em sinal de luto pela morte do senador Darcy Ribeiro. Portes disse que o cronograma da marcha continua inalterado.
No dia 5 ou 6 de março, o grupo chega a Belo Horizonte, onde realiza manifestações em paças públicas e passeata pelas principais ruas da cidade. Em seguida, seguirão pela BR-040 com destino a Brasília, onde pretendem chegar no dia 17 de abril. Ao todo, os manifestantes vão caminhar por cerca de 1.100 quilômetros.


