Prefeito vai liberar ruas para camelô com deficiência física
São Paulo, 11 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), afirmou hoje que vai liberar provisoriamente, nos próximos dias, alguns pontos na região central para que os ambulantes portadores de deficiência possam trabalhar. Amanhã à tarde, será definida a lista dos locais em que poderão instalar-se.
A decisão valerá apenas até a conclusão de obras nos bolsões para que eles possam ser transferidos definitivamente. Na reunião em seu gabinete, na manhã de hoje, no Palácio das Indústrias, com ambulantes deficientes, o prefeito determinou ao secretário das Administrações regionais, Domingos Dissei, que fosse criada imediatamente uma comissão formada por representantes das Secretarias Municipais do Abastecimento, do Emprego, Administrações Regionais, do Governo, Guarda Civil e dos ambulantes deficientes.
Segundo Dissei, a comissão definirá amanhã a lista dos locais liberados e a quantidade de camelôs autorizados. Gerson Wendland, líder dos deficientes, disse que estão cadastrados 1.182 ambulantes, dos quais 490 são portadores de deficiências de natureza grave.
A comissão também vai definir em 15 dias um estudo conjunto para atender às exigências dos deficientes quanto à transferência para os bolsões. Apesar do interesse da Prefeitura em levá-los para os camelódromos, não foram previstos no projeto inicial as obras de infra-estrutura para atendê-los de forma confortável, como rampas de acesso e sanitários especiais.
O prefeito garantiu que eles poderão ver a planta e dar opinião sobre as reformas. Afirmou também que os ambulantes só serão transferidos após a conclusão das obras.
Pessoalmente, o prefeito não tinha nada contra a permanência definitiva dos ambulantes deficientes nas ruas. Mas o receio de que outros camelôs, que não sejam portadores de deficiências, possam tentar burlar a determinação fez com que Pitta mandasse transferir todos para os bolsões.
O que impediu a mudança imediata foi a falta de infra-estrutura atual para os deficientes, de acordo com os mínimos padrões de acesso. Com isso, ganharam a "liberdade" provisória de escolher onde querem ficar.
Inicialmente, a proposta de Pitta agradou à comissão dos ambulantes deficientes, que chegaram a fazer um protesto na segunda-feira, acampando na entrada da casa do prefeito, nos Jardins.
Depois que foram proibidos de montar barracas com os demais ambulantes das ruas da região central, eles ficaram revoltados porque, pelas condições de deficiência física, alegam ter muito mais dificuldades de subsistência do que outros camelôs.
Quando foram repassar o resultado da reunião aos 80 deficientes que esperavam na Praça Cívica, na frente do Palácio das Indústrias, foram criticados pelos demais, porque queriam instalar suas barracas nas ruas ainda hoje.
O deficiente visual Edvaldo Ribeiro de Jesus, que participou da reunião, conseguiu convencê-los a esperar a reunião de amanhã. "Se não for realizada a reunião ou nada ficar definido, voltaremos a protestar na casa do prefeito."





