À semelhança dos atuais problemas de gestão e qualidade que desafiam a administração das empresas privadas, o presidente Fernando Henrique Cardoso também está preocupado em melhorar a gestão administrativa da Presidência. Em breve o Palácio do Planalto ganhará um profissional qualificado que ficará responsável por seu gerenciamento, pelo pagamento de contas e pela organização de serviços gerais, a exemplo do modelo já adotado no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto.
O trabalho do novo ‘‘prefeito’’ do Planalto é parte de um plano de reestruturação e melhoria da gestão da Presidência, posto em prática a partir de maio. O programa prevê enxugamento de pessoal e terceirização de quase todos os serviços administrativos. Os setores de transporte, conservação e limpeza e refeitório já estão terceirizados. O próximo passo é fazer o mesmo com as áreas de telecomunicações, informática e reprografia.
Para formular o novo modelo de gestão da Presidência, a Casa Civil contratou a empresa multinacional de consultoria Arthur D. Little. Durante 15 meses os consultores privados executaram a primeira fase do projeto e recentemente iniciaram a segunda etapa, tudo a um custo de R$ 3,5 milhões.
A Casa Civil prevê, em contrapartida, uma economia de R$ 5 milhões ao ano com o novo modelo. Seguindo os passos do modelo de gestão privada, a restruturação do Planalto também terá de resolver o inchaço da área meio (que não cumpre tarefas essenciais palacianas, mas dá suporte a elas), ao mesmo tempo em que terá de estimular e exigir maior qualificação dos seus quadros.
A reestruturação inclui o serviço de saúde, que mantém 7 médicos, entre 48 profissionais à disposição dos servidores e familiares. A proposta é restringir o atendimento médico ao presidente e aos ministros e o pronto-atendimento a servidores. Segundo o secretário de Administração da Presidência, Ari Matos, 70% dos servidores já têm planos de saúde de seus órgãos de origem. ‘‘Planejamos fazer um convênio com o Hospital das Forças Armadas para o restante.’’
Outra providência da secretaria será criar um limite de R$ 200 para gastos com telefone. Segundo Matos, o gasto será controlado pela conta. Se o limite for ultrapassado, sobrará para o bolso do servidor. Matos não informou as despesas atuais com água, luz e telefone, mas disse que a secretaria está fazendo levantamento desses gastos, com o objetivo de reduzir custos. (C.C. e I.I.)

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