Prefeito pede despejo de sem-terra
Agência Estado
De Anhembi
A prefeitura de Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, ingressou ontem com pedido de reintegração de posse das áreas urbanas ocupadas desde o último dia 23 por 1,2 mil famílias de sem-terra. A juíza Lígia Cristina Berardi Possas, da 1ª Vara de Conchas, analisa o pedida e pode conceder hoje a liminar de despejo. Quatro proprietários de áreas particulares também invadidas pelos sem-terra fizeram o mesmo pedido.
Segundo o advogado Antônio Venâncio Martins Neto, que entrou com as ações, os 3,5 mil moradores da área urbana estão intimidados com a presença dos sem-terra. Há entre eles pessoas oriundas de favelas e de outros segmentos, criando um clima de intranquilidade entre os moradores, afirmou. Ele disse que fazem parte das terras invadidas o estádio municipal e áreas destinadas ao lazer da população.
Caso a juíza conceda as liminares, oficiais de Justiça irão intimar as lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para que a desocupação ocorra no prazo fixado, geralmente, em 48 horas. Os sem-terra disseram que vão resistir ao despejo.
Em Anhembi, o clima é de tensão desde que começaram a chegar mais pessoas no acampamento. O movimento aumentou no fim de semana, com a chegada de dezenas de famílias.
No fim de semana, surgiram os primeiros atritos entre sem-terra e moradores locais. Houve uma briga em um bar e dois sem-terra, que portavam facões, tiveram suas armas apreendidas. O policiamento na cidade foi reforçado. Caso os sem-terra não desocupem a cidade, a PM terá que fazer o despejo forçado.
Até a tarde de ontem o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) não tinha definido o terreno para a transferência da famílias. Uma gleba de 20 hectares pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) foi indicada para vistoria, mas acabou sendo descartada por estar sendo objeto de ação judicial.
O coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, um dos líderes dos acampados, disse que os sem-terra não pretendem deixar a cidade enquanto não for destinada outra área para acampamento provisório. Segundo ele, caso o despejo seja cumprido, parte das famílias acampará na frente da prefeitura e o restante irá acampar no Palácio dos Bandeirantes, na capital, sede do governo paulista.





