Prefeito não quer sem-terra em ginásio
Marcos Zanatta
De Maringá
O prefeito de Terra Rica (57 quilômetros a noroeste de Paranavaí), Cláudio Soletti (PSDB), ameaça entrar na Justiça para retirar mais de 400 sem-terra do ginásio de esportes da cidade. São as 160 famílias mais de 240 crianças desalojadas pela Polícia Militar da Fazenda Figueira, na sexta-feira da semana passada. Os sem-terra alegam que foram colocados junto com os pertences em ônibus e caminhões e largados na praça do ginásio de esportes. A polícia disse que se o ginásio não estivesse aberto era para arrombar, afirma o sem-terra Amélio Amaral Saraiva, 53 anos.
Ontem, o prefeito Soletti foi para Curitiba na tentativa de negociar a retirada das famílias. No início da tarde, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acenou com a proposta de retirar as famílias do ginásio, desde que a prefeitura pague o transporte. As famílias serão levadas para o assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Terra Rica. Se não fizer nada esse pessoal não sai mais daqui, alega o prefeito. Soletti disse que está fornecendo alimentação aos sem-terra, mas que vai suspender a comida a partir de hoje.
Um dos comandantes da operação de desocupação da Fazenda Figueira, o coronel José Rigoni Filho, do 8º Batalhão da PM de Paranavaí, disse que não teve outra saída. Pelo menos 90% dos sem-terra, segundo ele, alegaram ser de Terra Rica. Estávamos com 11 caminhões e seis ônibus com os sem-terra e os pertences às 19 horas, e não tínhamos para onde levar, alega. Os sem-terra dizem que também querem sair do ginásio de esportes.
Ontem um grupo deles reclamou das condições do local. Não temos como ficar mais tempo aqui, disse Floriano da Silva, 46 anos, que denuncia a violência da PM na retirada das famílias da fazenda. As crianças estão abaladas. Não dormem direito de noite e só brincam de polícia batendo nos amiguinhos menores, revela. A sem-terra Gessi da Silva disse que a polícia não respeitou nem as crianças. Meu neto Willie, 17 dias ontem teve o rosto queimado pela fumaça de uma bomba de gás, jogada pela polícia dentro de uma barraca, conta ela. Agora temos que enfrentar essa situação. Todo mundo amontoado nesse lugar, reclamou.





