Prefeito filmado fazendo ameaças será investigado
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Evandro Fadel<BR>Agência Estado 
Curitiba - O delegado de Paranavaí, Luiz Artigas Júnior, instaurou inquérito ontem para investigar possível porte ilegal de arma pelo prefeito de Alto Paraná (10 km a leste de Paranavaí), Cláudio Golemba (PSDB), também médico e dono do Hospital Santa Terezinha. Golembra foi flagrado por uma microcâmera de uma equipe da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), quando supostamente fazia ameaças contra um agricultor que procurou o hospital com a perna quebrada. O inquérito para apurar possível ameaça só é instaurado com representação da vítima, que ontem ainda estava internada na Santa Casa de Paranavaí.
Na fita apresentada pela televisão, Colembra não titubeou em tirar uma arma de dentro de uma bolsa e se vangloriar de que foi atirador da Escola do Exército Brasileiro por 15 anos. No começo da gravação, ele tenta justificar a atitude do hospital. Do jeito que tá a coisa eu não vou pôr mais a mão num doente desse tipo, o cara me põe no fórum, disse. Mas se o cara vier em cima de mim e a família toda, eu vou apanhar? Eu não. E seguem-se as ameaças, depois de mostrar a arma. Eu ando armado. Eu dou 20 tiros na cara dele. Eu vou agüentar a craca de um vagabundo desse? Eu não. Eu sou homem, pô. O nego piscou, eu vou queimar a cara. Não vou perguntar o que houve. Eu fui atirador da Escola do Exército Brasileiro. Fui 15 anos do Exército Brasileiro. Ontem, ele disse que o repórter não pôs toda a conversa no ar.
Segundo o prefeito, ele estava comentando que tinha sofrido um assalto e recebera várias ameaças de morte, por isso comprara a arma em 2000. Eu falava que, se tivesse com minha família, e houvesse tentativa de assalto eu daria 20 ou mais tiros, disse. De acordo com sua versão, as ameaças eram contra um hipotético assaltante e não contra o agricultor.
O diretor de Jornalismo da RPC, Wilson Serra, afirmou que, ao contrário do que o prefeito diz, ele estava se referindo especificamente à questão do agricultor.
O problema aconteceu quando o agricultor Apolinário da Luz procurou o hospital, único da cidade, com ferimento na perna, provocado em um jogo de futebol no domingo. O raio-x realizado pelo hospital não apontou fratura. Mas em exame em outra clínica, ela ficou constatada.
Segundo Golembra, a prefeitura dispôs-se a pagar a cirurgia, mas o rapaz teria xingado o motorista e dito que procuraria um advogado. Terça-feira, ele foi em frente ao hospital da cidade e fez um protesto por não ter sido enviado rapidamente para Paranavaí. O prefeito acredita que a manifestação foi armada pela oposição. Ele só foi encaminhado terça-feira ao hospital.


